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Competitividade asiática empurra café conilon brasileiro para o mercado interno em 2026

Safra estável e maior competitividade asiática limitam exportações, mas margens seguem positivas ao produtor

Por Redação* 02/02/2026 09h09
Competitividade asiática empurra café conilon brasileiro para o mercado interno em 2026
Maior oferta asiática reduz competitividade externa do conilon brasileiro, mas mantém margens positivas ao produtor - Foto: ANPr/Divulgação

A produção de café conilon/robusta inicia o primeiro trimestre de 2026 sob cenários distintos entre os principais países produtores. Enquanto o Vietnã, líder global do segmento, caminha para uma safra recorde, o Brasil enfrenta desafios de competitividade no mercado internacional e tende a direcionar maior volume da produção ao consumo interno.

O país asiático entra no pico da colheita da safra 2025/2026 com expectativa de crescimento aproximado de 10% em relação ao ciclo anterior, alcançando quase 1,85 milhão de toneladas. As exportações vietnamitas devem permanecer acima de US$ 8 bilhões, ampliando a oferta global de robusta.

No Brasil, a maior presença do café asiático no mercado internacional tem pressionado os preços e reduzido a competitividade externa do conilon nacional. “Desde de dezembro de 2025 o mercado internacional está sendo abastecido pelas safras do Vietnã e Indonésia, com a presença dessa produção se intensificando no início deste ano. Com isso, no Brasil a competitividade em termos de preço tem limitado as exportações, direcionando a maior parte da produção do conilon para as indústrias de torrefação e moagem no mercado interno”, explicou o diretor executivo da MM Cafés, Marcus Magalhães.

Segundo o executivo, a produção brasileira de conilon em 2026 deve permanecer em patamar semelhante ao do ano passado, apesar de variações regionais. “O alto volume colhido no ano passado pode ter debilitado as lavouras mais antigas”, completou.

Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) também apontam fatores climáticos como ponto de atenção. Chuvas intensas em áreas do norte do Espírito Santo provocaram alagamentos em alguns talhões, elevando o risco de doenças e podendo impactar a produtividade.

Com a safra de café arábica ainda em recuperação dos efeitos climáticos recentes e sem expectativa de uma produção excepcional em 2026, o diferencial de preços entre o arábica e o conilon/robusta se mantém elevado. Nesse contexto, a tendência é de maior uso do conilon nos blends das indústrias nacionais.

“Eu acredito que a gente vá continuar a trabalhar com margens positivas para o produtor, mas longe dos topos históricos testados e longe das margens que presenciamos em 2024,2025. O café conilon brasileiro em 2026 terá um destino mais voltado para o mercado interno, com as indústrias e algumas marcas colocando mais conilon nos blends, como já estão fazendo. Os preços aqui estão mais competitivos do que quando olhamos para as exportações. Mas, claro, se houver alguma janela de oportunidade com certeza o Brasil vai aproveitar e colocar bastante conilon no mercado internacional”, afirmou Magalhães.

*Com informações da Notícias Agrícolas