Agro
Técnica com “bisturi” feita em AL reduz custos e recupera canaviais
Protocolo Cana Regenerativa evita gastos de até R$ 17 mil por hectare e aumenta produtividade em mais de 15 toneladas em São Miguel dos Campos
Na Fazenda Santo Antônio, localizada no município de São Miguel dos Campos, interior de Alagoas, o agrônomo e produtor Edilson Maia utiliza uma técnica inovadora denominada protocolo Cana Regenerativa. A estratégia foca na recuperação de áreas com falhas no plantio, evitando a necessidade de reforma total do canavial, o que reduz significativamente os custos de produção e aumenta a longevidade da cana.
Em entrevista ao programa Alagoas Rural, apresentado pelo jornalista Edivaldo Júnior, o agrônomo contou que essa estratégia produz uma aeração no sistema articulado, que mesmo cortando uma cana, vai nascer o dobro.
“Esse corte na raiz, ele vai proporcionar uma aeração do sistema radicular, do rizoma. E se cortou duas ou três canas, vai nascer o dobro, muito mais, nem posso mensurar. Mas essa aeração é extremamente importante para a revitalização dessa touceira, como também para fazer uma aeração em todo o sistema vegetativo. Então é muito claro, você veja pelo vigor, porque quando você bota 200 kg de MAP, você está botando fósforo e nitrogênio”, contou Edilson.
A renovação de um hectare de cana-de-açúcar pode custar ao produtor até R$ 17 mil. O protocolo surge como uma alternativa para evitar esse investimento massivo em áreas que apresentam falhas após 5 ou 7 anos de colheita. Em vez de erradicar a soqueira antiga, a técnica utiliza um equipamento chamado "bisturi" para realizar um corte cirúrgico no solo.
Este corte promove a aeração do sistema radicular e do rizoma da planta. Ao mesmo tempo que é aplicado um "coquetel" de nutrientes, que inclui fósforo e nitrogênio (via MAP), diretamente na base da cana.
Resultados Práticos
Os resultados observados na área de demonstração mostram um aumento expressivo no perfilamento. Por exemplo, uma touceira antiga que possuía poucas folhas passou a brotar com mais de 20 novas plantas, apresentando o vigor de um plantio novo.
Em termos de produtividade, áreas que antes rendiam 35 toneladas por hectare podem saltar para mais de 50 toneladas com a aplicação do protocolo, representando um ganho de pelo menos 15 toneladas apenas com a regeneração da soqueira existente
O agrônomo explica, também, que o vigor da brotação elimina as falhas visíveis no campo. No momento da colheita, prevista para o mês de novembro, a usina realiza o corte integral da área, levando tanto a cana remanescente quanto a nova brotação gerada pelo protocolo. A técnica se mostra eficaz não apenas pela nutrição, mas pela revitalização mecânica e biológica do canavial.


