Política
Fundo sem cotista identificado pagou R$ 33 milhões a advogada de Flávio
A advogada também recebeu R$ 27 milhões da mineradora Itaminas em notas emitidas em junho de 2024
Maria Cláudia Bucchianeri, responsável pela área jurídica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), recebeu R$ 33 milhões em 2025 do V3 Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios Multicarteira. Segundo reportagem do portal Metrópoles, o fundo é classificado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como destinado a investidor não residente, e a identidade pública de seu cotista não foi identificada.
Os pagamentos foram feitos à Bucchianeri Advocacia e registrados em três notas fiscais. Uma delas corresponde a R$ 29,4 milhões. Nos documentos, a descrição dos serviços aparece apenas como “honorários advocatícios”, sem detalhamento da atuação contratada.
A reportagem do Metrópoles informou que não encontrou o nome do escritório no regulamento do fundo nem em documentos de dois processos judiciais públicos nos quais o V3 figurava como parte em 2025.
Advogada afirma que serviços foram prestados
Em resposta, Bucchianeri declarou que os pagamentos correspondem a serviços jurídicos efetivamente prestados, de natureza privada, com os respectivos recolhimentos tributários. Ela argumentou que a ausência do nome do escritório em documentos públicos não comprova irregularidade, uma vez que o fundo é privado e parte de suas informações e processos tramita sob sigilo.
Notas fiscais de R$ 27 milhões da Itaminas
A advogada também emitiu, em 28 de junho de 2024, notas fiscais que somavam R$ 27 milhões contra a mineradora Itaminas. A data coincide com a assinatura, por Daniel Vorcaro, da versão final do documento de compra da empresa.
As notas descreviam serviços de advocacia contenciosa e consultiva relacionados à renegociação de uma transação fiscal.
Bucchianeri afirmou que presta serviços à família Paz, antiga controladora da Itaminas, e às empresas ligadas a ela desde 2019. Segundo a advogada, os valores correspondiam a honorários acumulados e renegociados, sem relação com a venda da mineradora.
Ela também negou ter prestado serviços ao Banco Master, a Daniel Vorcaro ou a empresas e fundos ligados ao banqueiro.
Advogada contesta divulgação dos dados
Bucchianeri contestou a divulgação das informações e alegou que houve quebra clandestina de sigilo fiscal. Na avaliação dela, a exposição dos dados representa uma tentativa de constrangimento político às vésperas da eleição presidencial.
Até as informações apresentadas na reportagem, não há indicação de que os pagamentos, por si só, tenham resultado em comprovação de irregularidade por parte da advogada.

