Política
Documentos ligam amigo de Flávio Bolsonaro a fraude na ilha de atleta
Investigação aponta irregularidades na transferência de direitos de mansão de Richarlison
Registros judiciais, contratos, recibos e documentos administrativos do núcleo Fórum Investiga revelam que a transferência dos direitos de ocupação da mansão de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, envolveu uma série de ilegalidades. O imóvel de 4,4 mil metros quadrados, avaliado em cerca de R$ 10 milhões e reivindicado pelo atacante Richarlison, teve a cessão chancelada em favor da empresa WT Administração de Imóveis e Bens S.A., pertencente ao advogado Willer Tomaz. A apuração aponta que a transação utilizou a M. Locadora de Veículos, empresa declarada inapta pela Receita Federal desde 2018 e com sócios falecidos. Além disso, laudos periciais indicam a falsificação de assinaturas em alterações contratuais e a omissão deliberada de uma promessa de compra e venda anterior em ações possessórias perante a Segunda Vara Cível de Angra dos Reis.
A alteração no cadastro do patrimônio federal foi chancelada pela Secretaria do Patrimônio da União em julho de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. O procedimento ocorreu por meio da emissão de uma Certidão Autorizativa para Transferência em modalidade especial, requerida e liberada no mesmo dia. Naquela ocasião, a superintendência do órgão no Rio de Janeiro era chefiada pelo coronel do Exército Paulo da Silva Medeiros, militar indicado para o cargo pelo senador Flávio Bolsonaro. A celeridade da tramitação contrasta com o travamento de um processo de regularização protocolado ainda em 2021 pelo grupo do jogador, que já havia quitado pagamentos e cessões possessórias sobre a área.
Diante das inconsistências na cadeia de transmissões e da denúncia de que o atleta perdeu a posse após recusar propostas de venda, o caso passou a ser apurado em inquérito pela Polícia Federal em Angra dos Reis. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cobrou explicações públicas e determinou a intensificação das investigações policiais sobre a conduta dos agentes públicos e a atuação do advogado, enquanto a defesa de Willer Tomaz nega irregularidades e tenta acionar a Justiça para proibir manifestações do jogador sobre o tema.

