Política
Relatório de Alfredo Gaspar poupou suspeito de liderar fraude no INSS
Vice na chapa de Flávio Bolsonaro deixou de fora investigado por esquema
O deputado federal alagoano Alfredo Gaspar, candidato a vice-presidente da República na chapa de Flávio Bolsonaro e relator da CPMI do INSS, deixou fora do pedido de indiciamento final o empresário Wilson Roberto Gomes, conhecido como "big boss". Apontado como elo entre a fraude que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados e ex-integrantes do Ministério do Trabalho e da Previdência, o empresário foi omitido do documento de 4 mil páginas, segundo reportagem do site Intercept Brasil.
Durante os sete meses de investigação parlamentar, a comissão obteve dados do Coaf que apontavam movimentações suspeitas de quase R$ 10 milhões nas contas de Gomes, incluindo R$ 4,2 milhões oriundos diretamente de empresas envolvidas no esquema dos "Golden Boys". Os valores teriam financiado a compra de um helicóptero de R$ 5 milhões. Embora o próprio relator tenha chegado a questionar depoentes sobre a relação com o empresário durante as sessões, seu parecer pediu o indiciamento de 216 pessoas, mas blindou o acusado, que possui condenação prévia por lavagem de dinheiro no tráfego de drogas.
Em sua defesa, a assessoria de Alfredo Gaspar alegou que a decisão seguiu critérios estritamente técnicos por falta de provas mínimas de envolvimento direto na época e acusou a bancada governista de esvaziar os trabalhos. Já os advogados de Wilson Gomes declararam que o cliente não possui vínculo com as entidades investigadas, sustentando a licitude do patrimônio familiar e afirmando que prestarão os esclarecimentos devidos perante o Supremo Tribunal Federal.
