Política
TSE determina que Flávio Bolsonaro apague vídeo falso sobre manifestação
Segundo o ministro Marco Aurélio Belizze, relator do caso, as imagens utilizadas no vídeo circulavam na internet antes do ato e teriam origem no Chile
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) remova de suas redes sociais um vídeo considerado falso, que associa apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao consumo de drogas durante a manifestação realizada na Avenida Paulista, no último domingo (11).
Segundo o ministro Marco Aurélio Belizze, relator do caso, as imagens utilizadas no vídeo circulavam na internet antes do ato e teriam origem no Chile, sendo empregadas de forma descontextualizada para sugerir envolvimento de manifestantes com entorpecentes.
Em sua decisão, Belizze destacou que a montagem mescla fatos reais com situações que não ocorreram, caracterizando grave manipulação por descontextualização. O ministro alertou que esse tipo de conteúdo prejudica o debate público ao apresentar uma narrativa falsa sobre acontecimentos políticos.
O vídeo em questão mostra uma jovem de cabelo vermelho sentada ao lado de outras duas pessoas em um local aberto, inalando um pó branco semelhante à cocaína. No entanto, verificações já haviam apontado que a gravação circulava nas redes antes mesmo da manifestação pró-Lula.
De acordo com a apuração da mídia brasileira e informações constantes nos autos do processo, o vídeo teria sido publicado originalmente no Chile. Antes do evento, ele também foi compartilhado por perfis estrangeiros. Uma conta argentina divulgou as imagens em 10 de outubro, véspera do ato, enquanto uma usuária chilena associou a jovem a um protesto pró-Palestina em seu país.
A decisão do TSE estabelece prazo de 24 horas para que Flávio Bolsonaro, seu irmão Carlos Bolsonaro (PL-SC), o empresário Pablo Marçal (PRTB) e o deputado federal eleito Rony Gabriel (Podemos-RS) removam publicações que utilizam as imagens da jovem. O ministro também determinou que a Meta — dona do WhatsApp, Instagram e Facebook — exclua postagem semelhante do perfil Sociedade em Fatos e identifique os responsáveis pela página.
Belizze ressaltou que a decisão não impede críticas políticas à manifestação, mas reforçou que elas não podem ser baseadas em conteúdos manipulados ou fora de contexto. Opiniões e publicações sobre o ato permanecem permitidas, desde que não apresentem o vídeo como registro autêntico do evento.
Por Sputinik Brasil
