Política
Mulheres ganham força na política em Alagoas; Célia surpreende até JHC
Marina Cândia, Júlia Nunes e Teca Nelma saíram das urnas com votações expressivas e surpreenderam pela conquista de vitórias importantes
Quem será o político mais importante de Alagoas a partir de 2027? JHC, Arthur Lira ou Alfredo Gaspar? Ainda é cedo para responder. Mas uma coisa já é possível afirmar: a eleição deste ano deu às mulheres um protagonismo que poderá mudar a política alagoana nos próximos anos.
Marina Cândia, Júlia Nunes e Teca Nelma saíram das urnas com votações expressivas e surpreenderam pela conquista de vitórias importantes.
Mas talvez nenhuma tenha surpreendido tanto quanto Célia Rocha. A ex-prefeita de Arapiraca não disputou votos individuais e, mesmo assim, poderá se tornar uma das mulheres mais influentes do Estado.
Célia Rocha, a surpresa de JHC
Escolhida para vice-governadora pela experiência política, pela ligação histórica com Arapiraca e pela amizade com Ceci Cunha, mãe de Rodrigo Cunha, ela acabou surpreendendo o próprio JHC.
O governador eleito queria um nome forte do Agreste. Encontrou mais do que isso.
Segundo interlocutores próximos de JHC ouvidos pelo blog, o desempenho da ex-prefeita durante a campanha superou todas as expectativas. Célia não se limitou a emprestar seu nome à chapa. Participou ativamente da mobilização, cumpriu agendas, assumiu compromissos e trabalhou pela vitória em diferentes regiões do Estado.
"Célia superou todas as expectativas. Cumpriu todas as tarefas, todos os desafios. Mostrou muita força e determinação. Não foi apenas em Arapiraca ou no Agreste. Ela deu uma grande contribuição em vários municípios", afirmou ao blog o secretário-geral do PSDB em Alagoas, Júnior Leão.
A avaliação entre pessoas próximas de JHC é que a escolha foi mais do que acertada. Célia vestiu a camisa da campanha e conquistou a confiança do futuro governador.
A vitória pode transformá-la na liderança política mais forte de Arapiraca. Com a eleição, Célia Rocha volta a ocupar uma posição privilegiada na política do Agreste. Seu peso poderá ser tão grande quanto, ou até maior, o do prefeito Luciano Barbosa, seu antigo aliado. E poderá superar, em capacidade de articulação estadual, parlamentares como Daniel Barbosa, Lucas Barbosa e Ricardo Nezinho.
A diferença está no acesso direto ao governo. Célia será vice-governadora de JHC e terá condições de participar das decisões administrativas e políticas que envolvem Arapiraca e toda a região.
Na entrevista que concedeu à Gazeta, Célia deixou claro que não pretende ser uma vice apenas protocolar. Quer atuar especialmente no Agreste e no Sertão e participar diretamente da sucessão municipal de 2028.
Também revelou que Luciano Barbosa bloqueou seu número no celular, embora tenha manifestado o desejo de reabrir o diálogo. É uma relação que dificilmente voltará a ser a mesma.
Adversários em 2028
Célia afirmou que pretende resistir a uma nova candidatura à Prefeitura de Arapiraca. Mas avisou que apresentará um nome para a disputa.
Se decidir disputar novamente a prefeitura, deverá contar com o apoio de JHC e de seu grupo político. Se não concorrer, poderá liderar a construção de uma candidatura com o respaldo do futuro governador.
Luciano Barbosa, portanto, terá um problema a mais para resolver na sucessão municipal. De um lado, Ricardo Nezinho, que demonstrou força eleitoral em Arapiraca e caminha para apresentar seu próprio projeto. Do outro, Célia Rocha, fortalecida pela vitória de JHC e decidida a participar da escolha do próximo prefeito.
Depois de oito anos à frente da prefeitura, Luciano terá de construir a candidatura de seu sucessor diante de dois grupos com capacidade de disputar o comando do município.
E há uma ironia nessa história. Célia Rocha, que por muito tempo foi uma das principais aliadas de Luciano, poderá se transformar no maior obstáculo aos planos de continuidade política do prefeito.
Ela saiu das urnas maior do que entrou. E já entra para a história como a primeira mulher eleita vice-governadora de Alagoas, levando também Arapiraca a uma posição inédita no comando político do Estado.
