Política

Lula fala sobre abstenção de mais de 30 milhões de eleitores

O presidente, que não participou de debates no primeiro turno, ressaltou que os confrontos diretos em emissoras de TV se tornam agora fundamentais, por permitirem o embate direto com Flávio

Por Sputnik Brasil 06/10/2026 09h09 - Atualizado em 06/10/2026 09h09
Lula fala sobre abstenção de mais de 30 milhões de eleitores
Foto: © Foto / Divulgação / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (5), durante reunião com apoiadores, que a ausência de mais de 33 milhões de eleitores nas urnas é uma “responsabilidade nossa”.

Lula, que terminou o primeiro turno com 2,2 milhões de votos a menos que Flávio Bolsonaro (PL), destacou a importância de compreender as razões para o elevado índice de abstenção, defendendo humildade e evitando julgamentos.

“Não briguem com o eleitor. Não falem mal porque o eleitor não votou em vocês. [...] Temos que ter humildade”, disse Lula. “São 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu então com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos? Porque, se fosse assim, teria surgido uma terceira via, e não surgiu terceira via. [...] Possivelmente tem uma causa, um desinteresse. E a responsabilidade é nossa, é devolver o interesse para ele de participar do processo eleitoral. É simples assim.”

O presidente, que não participou de debates no primeiro turno, ressaltou que os confrontos diretos em emissoras de TV se tornam agora fundamentais, por permitirem o embate direto com Flávio, a quem classificou como “a cara do sistema”.

“Ele [Flávio] é a cara do sistema. E nós não explicarmos isso para a sociedade é um grande defeito nosso. Porque aqui só tem um candidato que é o antissistema, que somos nós. Não tem outro candidato. Estamos carregando nas nossas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que se revelou no STF. [...] Nós precisamos fazer outra reforma. E precisamos definir qual é o papel da sociedade nessa reforma. Nós precisamos definir concretamente como é que a gente vai escolher o ministro da Suprema Corte.”

Para buscar a virada no segundo turno, Lula afirmou que terá de dormir menos, participar de mais programas de rádio e aumentar a presença nas redes, inclusive tirando mais selfies, embora ressalte que prefere o contato direto com o povo nas ruas.

O presidente também criticou as atuais políticas públicas de combate ao tráfico de drogas e outros crimes, defendendo a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reforma da Segurança Pública, que visa ampliar a atuação federal em áreas hoje sob responsabilidade dos estados.

“O lugar que a segurança pública tem é proteger a segurança do cidadão trabalhador. Porque o bandido tem que ir para a cadeia e o território tem que ficar livre para a sociedade se manifestar. Nós não podemos continuar assistindo ao povo pagando pedágio para pegar o seu gás, o povo pagando pedágio para ter as políticas públicas que o Estado tem que dar.”