Política

Deputada mais votada para Alesp já chamou indígenas de “canibais”

Eduarda Campopiano se intitula “a maior inimiga das feministas”

Por Redação 05/10/2026 15h03
Deputada mais votada para Alesp já chamou indígenas de “canibais”
Parlamentar eleita pelo PL recebeu mais de 1,9 milhão de votos em São Paulo - Foto: Instagram @eduarda_campopiano

Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi eleita neste domingo (4) como a deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de 2026, com 1.956.238 votos. A vereadora de Praia Grande ganhou projeção nas redes sociais por defender pautas conservadoras e já havia se envolvido em uma polêmica relacionada a declarações sobre povos indígenas.

Durante participação no podcast RedCast, em maio deste ano, Campopiano afirmou “glória a Deus que colonizaram” e agradeceu pela catequização dos povos indígenas. Na ocasião, ela também declarou que, sem a colonização e a catequização, povos originários continuariam “cometendo canibalismo” e enterrando crianças vivas.

“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…’”, afirmou.

As declarações provocaram repercussão e levaram a cantora e liderança indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência contra Campopiano, acusando-a de racismo. A deputada eleita não havia respondido aos questionamentos do Poder360 sobre as falas até a publicação da reportagem consultada.

Durante a campanha eleitoral, Campopiano também se apresentou como “a maior inimiga das feministas de São Paulo” e afirmou que pretende manter uma atuação antifeminista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

Entre as posições defendidas pela então candidata estão a oposição à criminalização da misoginia, às cotas raciais e ao reconhecimento da prostituição como profissão. Ela também se posiciona contra o aborto, defende o porte de armas e é contrária à classificação do feminicídio como crime específico, defendendo o aumento das penas para crimes em geral.

Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, e deixou o Legislativo municipal para disputar uma vaga na Alesp. Com a votação de 2026, ela alcançou a segunda maior marca da história das eleições para deputado estadual em São Paulo, atrás apenas de Janaína Paschoal, que recebeu 2.060.786 votos em 2018.

A votação de Campopiano foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que registrou 1.956.238 votos para a candidata. Eduardo Suplicy (PT) ficou em segundo lugar, com 654.627 votos, seguido por Sofia Favero (PSOL), com 407.773.

A nova legislatura da Alesp terá início em 2027, quando Campopiano assumirá uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista.