Política
Deputada mais votada para Alesp já chamou indígenas de “canibais”
Eduarda Campopiano se intitula “a maior inimiga das feministas”
Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, foi eleita neste domingo (4) como a deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de 2026, com 1.956.238 votos. A vereadora de Praia Grande ganhou projeção nas redes sociais por defender pautas conservadoras e já havia se envolvido em uma polêmica relacionada a declarações sobre povos indígenas.
Durante participação no podcast RedCast, em maio deste ano, Campopiano afirmou “glória a Deus que colonizaram” e agradeceu pela catequização dos povos indígenas. Na ocasião, ela também declarou que, sem a colonização e a catequização, povos originários continuariam “cometendo canibalismo” e enterrando crianças vivas.
“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva…’”, afirmou.
As declarações provocaram repercussão e levaram a cantora e liderança indígena Katú Mirim a registrar um boletim de ocorrência contra Campopiano, acusando-a de racismo. A deputada eleita não havia respondido aos questionamentos do Poder360 sobre as falas até a publicação da reportagem consultada.
Durante a campanha eleitoral, Campopiano também se apresentou como “a maior inimiga das feministas de São Paulo” e afirmou que pretende manter uma atuação antifeminista na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Entre as posições defendidas pela então candidata estão a oposição à criminalização da misoginia, às cotas raciais e ao reconhecimento da prostituição como profissão. Ela também se posiciona contra o aborto, defende o porte de armas e é contrária à classificação do feminicídio como crime específico, defendendo o aumento das penas para crimes em geral.
Campopiano foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024, com 3.583 votos, e deixou o Legislativo municipal para disputar uma vaga na Alesp. Com a votação de 2026, ela alcançou a segunda maior marca da história das eleições para deputado estadual em São Paulo, atrás apenas de Janaína Paschoal, que recebeu 2.060.786 votos em 2018.
A votação de Campopiano foi confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), que registrou 1.956.238 votos para a candidata. Eduardo Suplicy (PT) ficou em segundo lugar, com 654.627 votos, seguido por Sofia Favero (PSOL), com 407.773.
A nova legislatura da Alesp terá início em 2027, quando Campopiano assumirá uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista.
