Política
Lula promete reformar Judiciário em 2027 e defende soberania das urnas
“Eu, ganhando as eleições, vou propor para o ano que vem uma reforma no Poder Judiciário. E também tem que ter uma reforma na política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (4), após votar em São Bernardo do Campo (SP), que, caso seja reeleito, irá propor em 2027 uma reforma no Poder Judiciário. Entre as mudanças, Lula destacou a criação de novos critérios para a escolha de ministros da Suprema Corte.
“Eu, ganhando as eleições, vou propor para o ano que vem uma reforma no Poder Judiciário. E também tem que ter uma reforma na política. Tem que ser uma reforma profunda na política”, declarou Lula.
O presidente citou que dois ou três ministros devem se aposentar em breve, cabendo ao chefe do Executivo indicar os substitutos ao Senado. Lula afirmou que pretende estabelecer tempo de mandato para os ministros do Supremo Tribunal Federal e defendeu que integrar a Corte deve ser encarado como um sacerdócio, incompatível com o desejo de enriquecimento pessoal.
Lula também disse que pretende consultar a sociedade para montar um conselho responsável por escolher os futuros ministros. Segundo ele, juristas e especialistas em direito serão chamados para definir critérios claros. “Não pode inventar uma reforma. A mudança será aquela que a sociedade entender que deva ser feita”, afirmou.
Classificando o dia como “glorioso para o Brasil”, Lula disse que a eleição representa “uma nova página da história” do país. Para o presidente, o eleitor decidirá entre fortalecer o regime democrático ou a barbárie, “entre o desenvolvimento e o atraso, entre o crescimento econômico e o retrocesso”.
“O povo é soberano e o resultado do povo será acatado por todos os 215 milhões de brasileiros”, declarou. Lula disse estar confiante na vitória, tanto pelo trabalho do governo quanto pela mobilização da campanha em todo o país.
O presidente minimizou as pesquisas de intenção de voto divulgadas nos últimos dias, afirmando que os levantamentos recentes “não valem nada” diante do resultado oficial, que será conhecido ao final da votação, às 17h.
Para Lula, a apuração é a “pesquisa definitiva”, sem margem para variações. “É o resultado final das eleições. Seja bom ou ruim, é a pesquisa que vai valer”, disse.
Lula também fez um apelo para que eleitores com mais de 70 anos, que não são obrigados a votar, compareçam às urnas. “A pessoa tem que pensar no Brasil, nos seus filhos, nos seus netos”, ressaltou.
Ao defender seu governo, Lula destacou que o país foi recuperado, a inflação controlada, o crescimento retomado e o salário mínimo aumentado. Ele afirmou que houve “uma verdadeira revolução na educação” e que “nunca se fez sequer perto” do que foi realizado na área.
Apesar dos avanços, Lula reconheceu que ainda há muito a ser feito. “São 500 anos de atraso, e você não resolve 500 anos em dez anos. É preciso fazer o dobro para garantir o futuro do país”, avaliou.
“O Brasil não irá pra frente facilitando a venda de armas”, disse. Para ele, o país avança com a distribuição de livros didáticos nas escolas, e não “com miliciano”.
Lula também criticou o que chamou de “orgia” em torno da “quadrilha do Banco Master”. Segundo ele, o Brasil só avança “com seriedade, com comportamento de caráter, de dignidade dos seus governantes”.
Sobre educação, o presidente reforçou a necessidade de “formar, formar e formar” cada vez mais jovens para a revolução industrial digital e a transição energética. Ele destacou que o Brasil deve aproveitar oportunidades no setor de minerais críticos e não repetir modelos antigos de exportação de matérias-primas, defendendo a produção nacional com valor agregado.
Em São Paulo, Lula disse confiar na vitória de Fernando Haddad (PT) ao governo e de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado. Para o presidente, o estado “nunca teve a chance de votar em duas pessoas” com a qualificação das candidatas.
A votação teve início às 8h, no horário de Brasília, e segue até às 17h. Caso haja segundo turno, a nova votação está prevista para 25 de outubro.
Por Sputnik Brasil
