Política

PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro destinada a miliciano

Senador destinou R$ 199,9 mil a projeto esportivo após pedido de Robson Calixto, condenado pela morte de Marielle Franco

Por Redação* 22/09/2026 12h12
PF investiga emenda de Flávio Bolsonaro destinada a miliciano
Flávio Bolsonaro - Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga uma emenda de R$ 199.999,79 destinada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um projeto esportivo no Rio de Janeiro após um pedido de Robson Calixto, conhecido como Peixe, condenado pelo STF por envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Mensagens encontradas no celular de Peixe mostram conversas com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio, em 2023. Segundo a PF, ela orientou o miliciano sobre como formalizar o pedido e sugeriu que ele reforçasse a solicitação pessoalmente. Em novembro daquele ano, o recurso foi destinado ao Ministério do Esporte para o projeto "Jogadores do Futuro", do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (IFOP).

Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), produzido em 2025, apontou indícios de irregularidades na aplicação do dinheiro. Segundo o órgão, a empresa contratada pelo IFOP para coordenar o projeto prestava serviços advocatícios e não teria relação com a atividade esportiva. O responsável pela empresa também era o presidente do instituto.

As mensagens analisadas pela PF ainda mostram pedidos posteriores de ingressos para um camarote no Sambódromo e uma nova cobrança por emendas, em março de 2024. Os diálogos fazem parte de uma investigação sigilosa no STF sobre possíveis desvios de emendas destinadas a entidades ligadas aos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão.

Confira a nota de Flávio Bolsonaro:

"A emenda foi destinada dentro da legislação vigente e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. A entidade executora apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados.

A responsabilidade pela execução dos recursos é da entidade beneficiária, não do parlamentar. Eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle, como determina a lei".

*Informações de g1