Política

Moraes e Mendonça batem boca durante julgamento no STF

Ministros trocaram acusações sobre atuação da Polícia Federal em investigações relacionadas ao Banco Master

Por Redação com g1 15/09/2026 16h04 - Atualizado em 15/09/2026 16h04
Moraes e Mendonça batem boca durante julgamento no STF
Moraes e Mendonça trocam farpas durante julgamento no STF - Foto: Rosinei Coutinho/STF

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça bateram boca nesta terça-feira (15), durante julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a crise envolvendo a Corte e as investigações relacionadas ao Banco Master.

O confronto ocorreu durante a discussão sobre a atuação da Polícia Federal nas apurações e a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. 

O ministro pediu que o caso envolvendo sua conduta fosse analisado conjuntamente com as acusações relacionadas à atuação de Mendonça no relatório da PF que embasou pedidos de investigação contra Moraes.

Moraes questionou a condução das apurações e afirmou que não seria possível analisar sua situação sem também avaliar a atuação de Mendonça.

“Não há como julgar hoje [a situação de Moraes] sem julgar [a situação de André Mendonça]. Quem tem medo da Polícia Federal?”, perguntou Moraes.

“Não é questão de medo não”, respondeu Mendonça.

“Eu não estou perguntando a vossa excelência”, afirmou Moraes.

“Mas eu estou lhe respondendo”, rebateu Mendonça.

Na sequência, Moraes acusou Mendonça de ter solicitado à Polícia Federal que incluísse seu nome em uma colaboração premiada. O ministro também afirmou que pretende convocar policiais e advogados como testemunhas para sustentar a acusação.

“Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada. E vamos trazer aqui, presidente [Edson Fachin], e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar”, declarou.

Mendonça negou a acusação de forma imediata.

“Isso é mentira”, afirmou.

“Então vamos chamar as testemunhas. Vamos chamar?”, questionou Moraes.

“Mentira, mentira. Podem chamar quem quiser, vão mentir”, respondeu Mendonça.

Moraes voltou a defender que os casos fossem analisados conjuntamente e acusou Mendonça de ter incluído seu nome nas investigações por supostamente atender aos interesses de um grupo político.

“[Mendonça] chamou [a PF]: ‘Inclua o ministro Alexandre’. Por quê? Porque está a serviço de um grupo político que quis dar um golpe neste país. É isso, senhor presidente”, declarou Moraes.

Mendonça, por sua vez, afirmou que não responderia naquele momento.

Relatórios da PF

Durante o embate, Moraes também contestou a classificação dos documentos utilizados para embasar a investigação contra Mendonça. Segundo ele, os relatórios de inteligência da Polícia Federal não são documentos sem autoria, mas foram produzidos por delegados da corporação.

O ministro também classificou como “fraudulenta” a investigação da PF utilizada por Mendonça para pedir a apuração sobre sua conduta.

Moraes voltou a defender que os dois casos sejam julgados conjuntamente.

Entenda a crise no STF

A crise entre os ministros se intensificou após André Mendonça retirar o sigilo de relatórios da Polícia Federal relacionados às investigações sobre o Banco Master.

Um dos documentos apontou 52 mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, além de encontros presenciais entre os dois. Os relatórios também mencionaram um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes.

A divulgação dos documentos ampliou o confronto entre os ministros. Moraes acusou Mendonça de ter liberado os autos de forma “seletiva” e de omitir documentos. Mendonça negou as acusações e afirmou que manteve sob sigilo apenas informações necessárias para preservar investigações em andamento e dados de terceiros.

A disputa também envolveu o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao material.

Após determinação de Zanin, a Polícia Federal confirmou na segunda-feira (14) que entregou cópias do acervo digital aos três gabinetes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou favoravelmente à ampliação do acesso aos documentos.

Diante do conflito, o presidente do STF, Edson Fachin, decidiu separar os processos. O caso envolvendo as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo Plenário nesta terça-feira (15).

Já as acusações apresentadas por Moraes contra Mendonça ficaram para julgamento em 23 de setembro.