Política

Brasil e EUA retomam diálogo sobre tarifas após conversa entre Lula e Trump

O encontro ocorreu após diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, tendo como foco duas medidas recentes dos EUA baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974

Por Sputnik Brasil com Redação 01/09/2026 05h05
Brasil e EUA retomam diálogo sobre tarifas após conversa entre Lula e Trump
Foto: © AP Photo / Mark Schiefelbein

Os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), participaram nesta segunda-feira (31) de uma videoconferência com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

O encontro ocorreu após diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, tendo como foco duas medidas recentes dos EUA baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O governo brasileiro voltou a negociar sobre o chamado 'tarifaço', composto por duas ações distintas fundamentadas na Seção 301, mecanismo que permite a Washington impor sanções comerciais a países cujas práticas sejam consideradas "desleais".

Atualmente, as sobretaxas norte-americanas chegam a 37,5% sobre uma variedade de produtos brasileiros. A primeira, de 25%, foi justificada após investigação dos EUA que apontou supostas práticas desleais do Brasil em áreas como comércio digital, serviços de pagamento (incluindo o Pix) e etanol, entrando em vigor em 22 de julho. A segunda, de até 12,5%, foi atribuída pelo governo norte-americano à suposta falta de ações do Brasil no combate a produtos ligados ao trabalho escravo.

De acordo com o MDIC, as duas medidas afetam, isolada ou conjuntamente, cerca de 23% das exportações brasileiras para os Estados Unidos, com base em dados de 2024.

Após a reunião, Itamaraty e MDIC informaram que o Brasil reafirmou sua disposição para o diálogo com autoridades norte-americanas, "em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico" entre os países.

Ao mesmo tempo, os ministros reiteraram que o governo brasileiro discorda das medidas unilaterais impostas pelos EUA, por considerá-las incompatíveis com as regras do comércio multilateral. Também repetiram críticas anteriores, afirmando que as justificativas dos EUA na Seção 301 não refletem as práticas efetivas do país, caracterizando, segundo Brasília, tratamento discriminatório e injusto.

As duas partes concordaram em realizar nova reunião ministerial em data ainda a ser definida, para avaliar o andamento das negociações e das reuniões técnicas previstas para as próximas semanas, que poderão ocorrer de forma virtual ou presencial. O governo brasileiro destacou que continuará buscando "um acordo equilibrado e mutuamente benéfico" com os Estados Unidos, sempre pautado pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.

Por Sputnik Brasil