Política
Rui e Renan fecham cerco contra Ronnie Mota no caso Iprev/Master
O vereador apresentou nesta quinta-feira (20/08) documentos que, segundo ele, mostram a participação de Ronnie na negociação
O ex-presidente do Iprev Maceió, foi citado por Rui Palmeira e Renan Calheiros no caso das aplicações feitas pelo instituto no Master. Alvo de operação da Polícia Federal, Ronnie Mota é citado como responsável por aplicações de R$ 117 milhões no banco.
O vereador apresentou nesta quinta-feira (20/08) documentos que, segundo ele, mostram a participação de Ronnie na negociação. Renan já havia divulgado vídeo questionando quem autorizou as operações e quem respondia pelo então presidente do Iprev.
Entre os documentos exibidos por Rui estão trocas de e-mails entre servidores do instituto e uma representante do Banco Master, além de um despacho e de uma nota técnica assinados por Ronnie. Os arquivos tratam de operações realizadas em maio de 2024 e mostram o então presidente participando formalmente da movimentação de recursos entre o BTG Pactual e o Master.
Documentos
Em despacho datado de 5 de maio de 2024, Ronnie autoriza a venda de Letras Financeiras emitidas pelo BTG Pactual para o Banco Master. O documento informa que a operação já havia sido fechada com a tesouraria da instituição financeira e determina que o dinheiro fosse imediatamente transferido para uma conta do Iprev mantida no próprio Master.
Quatro dias depois, em 9 de maio, outra peça assinada pelo então presidente recomenda a troca da posição que o instituto mantinha no BTG Pactual por posição equivalente no Banco Master. “Assim, recomendamos a troca da posição do BTG Pactual por posição equivalente no Banco Master”, diz trecho da nota técnica mostrada por Rui.
Os prints apresentados pelo vereador também mostram uma sequência de e-mails trocados entre o Iprev e uma representante do Banco Master entre os dias 2 e 7 de maio. Em algumas mensagens, a área de Relações Institucionais da instituição financeira aparece copiada. Rui sustenta que os documentos demonstram participação direta de Ronnie na condução da operação.
Crítica
O vereador questionou ainda o fato de a nota técnica ter sido assinada pelo próprio presidente do Iprev e afirmou que não houve análise de risco adequada antes da aplicação. Segundo Rui, os documentos reforçam a necessidade de esclarecer quem tomou as decisões e quem autorizou a movimentação dos recursos previdenciários.
A investigação da Polícia Federal já aponta suspeitas sobre falhas na governança das aplicações do instituto. Na decisão que autorizou buscas, apreensões e bloqueios de bens, o ministro André Mendonça registrou a existência de elementos indicando insuficiência de análises sobre risco, liquidez, concentração e escolha do Banco Master.
Ronnie foi alvo da operação da PF e está entre os investigados que tiveram bens bloqueados por decisão do Supremo Tribunal Federal. A investigação trata de aplicações de R$ 97 milhões em Letras Financeiras subordinadas do Banco Master.
Renan
Renan Calheiros também passou a citar Ronnie diretamente. Em vídeo divulgado nesta semana, o senador afirmou que o ex-presidente foi levado para o Iprev durante a gestão de JHC e cobrou explicações sobre quem autorizou as aplicações.
“Dinheiro de aposentado não cria perna, não pega táxi, não vai sozinho parar num banco”, disse Renan. Na sequência, perguntou quem “entregou a chave”, numa referência a quem teria dado respaldo político e administrativo para as decisões tomadas no instituto.
Até agora, a investigação tornada pública não atribui a JHC ordem para realizar as aplicações nem aponta participação direta do ex-prefeito nas operações. Rui e Renan, no entanto, passaram a cobrar explicações sobre a relação de confiança entre Ronnie e JHC e sobre o grau de autonomia que o então presidente tinha para movimentar valores dessa dimensão.
Valores
Rui afirma que o Iprev destinou R$ 117 milhões ao Banco Master. O que os novos documentos mostram de forma objetiva é a participação de Ronnie em atos ligados às operações com o Banco Master. Ele aparece assinando despacho, recomendando a troca de ativos e acompanhando uma negociação que agora integra as cobranças feitas por Rui Palmeira e Renan Calheiros.
