Política

Crise entre EUA e Brasil se agrava com possível retorno de sanções a Alexandre de Moraes

De acordo com um jornal britânico de grande circulação especializado em política internacional, autoridades norte-americanas retomaram discussões sobre possíveis medidas da Lei Magnitsky contra Moraes

Por Sputnik Brasil com Redação 17/08/2026 05h05
Crise entre EUA e Brasil se agrava com possível retorno de sanções a Alexandre de Moraes
Foto: © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil

A crise diplomática entre Estados Unidos e Brasil ganhou novo fôlego após Washington voltar a cogitar sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, reacendendo tensões que já impactam comércio, política e a campanha de Lula. O impasse surge em meio a acusações de interferência e debates sobre liberdade de imprensa.

De acordo com um jornal britânico de grande circulação especializado em política internacional, autoridades norte-americanas retomaram discussões sobre possíveis medidas da Lei Magnitsky contra Moraes, por supostas violações de direitos humanos. Essas sanções já haviam sido aplicadas anteriormente e suspensas após negociações diretas entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reportagem destaca que o novo foco sobre Moraes veio após operações policiais envolvendo um jornalista e duas fontes, fato que reacendeu o debate sobre liberdade de imprensa no Brasil. Autoridades dos EUA teriam interpretado o episódio como parte de um padrão de abusos, enquanto Moraes argumentou que as informações divulgadas eram ilegais e colocavam em risco a segurança de outro ministro do Supremo e de sua família.

Figura central no debate político brasileiro, Moraes ganhou projeção internacional após embates com o empresário Elon Musk e a suspensão temporária da plataforma X no país. Enquanto apoiadores o veem como defensor da democracia contra a desinformação, críticos – incluindo aliados de Trump – o acusam de restringir liberdades civis.

Fontes citadas pela mídia britânica afirmam que membros do governo dos EUA alegam que Moraes teria "atacado apoiadores do presidente", incluindo simpatizantes do movimento MAGA no Brasil, o que aumentaria a pressão por novas sanções. A reimposição das medidas Magnitsky — que envolvem congelamento de ativos e proibição de transações com entidades norte-americanas — está "sob consideração", sem prazos definidos.

A matéria relembra que a tensão bilateral ganhou força há mais de um ano, quando Trump impôs uma tarifa de 50% ao Brasil, condicionando-a ao arquivamento do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado e atualmente em regime domiciliar humanitário.

A tarifa foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA, mas a trégua se desfez com a adoção de novas tarifas pelos norte-americanos e a recusa do Brasil em receber enviados de Trump, por receio de interferência nas eleições de outubro – alegações negadas por Washington.

Em meio à campanha para um quarto mandato, Lula insinuou que os EUA poderiam favorecer seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho de Jair Bolsonaro, e trocou críticas públicas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Durante um evento, Lula agradeceu aos trabalhadores que o acompanham desde sua trajetória sindical e reiterou que seguirá lutando "para que o direito prevaleça", em meio ao debate sobre o papel das instituições brasileiras diante de pressões externas.