Política

Boletim aponta suspeita de armação contra Alfredo Gaspar

Depoimento à Polícia Legislativa cita pagamentos a uma jovem e suposta participação de Lindbergh Farias na articulação

Por Redação* 10/08/2026 12h12
Boletim aponta suspeita de armação contra Alfredo Gaspar
Alfredo Gaspar - Foto: Assessoria

Um boletim de ocorrência registrado na Polícia Legislativa Federal da Câmara dos Deputados aponta a suspeita de uma trama para fabricar uma acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), atualmente anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o documento, a suposta articulação envolveria o deputado federal Lindbergh Farias (PT), que, em março deste ano, apresentou à Polícia Federal, junto com a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), uma denúncia contra Gaspar por suposto estupro de vulnerável e tentativa de ocultação dos fatos durante a CPMI do INSS. O deputado alagoano nega as acusações. O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Gilmar Mendes.

A suspeita de uma possível armação começou a ser investigada em 14 de abril, após a assessora de Gaspar, Marise Pena, procurar a Polícia Legislativa. Segundo ela, um homem identificado como Luiz Antonio Lopes teria relatado ter conhecimento de uma suposta articulação envolvendo uma jovem que assumiria uma identidade falsa e receberia dinheiro para sustentar uma história de abuso sexual contra o parlamentar.

Em depoimento prestado em 23 de abril, Lopes afirmou ter conhecido uma jovem identificada como Marcela Maria Mendes. Segundo ele, ela teria sido orientada a se apresentar como "Jailma", uma suposta mulher nordestina que teria sido abusada por um político durante a adolescência e engravidado em decorrência do crime.

Ainda conforme o depoimento, Marcela teria sido convencida por um suposto assessor parlamentar chamado Lucas, que seria ligado à Prefeitura de Nova Iguaçu, cidade apontada como reduto político de Lindbergh.

Lopes também afirmou que sua própria conta bancária teria sido utilizada para receber valores destinados à jovem. O depoente citou três pagamentos: R$ 10 mil, R$ 4 mil e R$ 2,5 mil. Segundo ele, dois deles foram comprovados.

Um dos repasses, no valor de R$ 4 mil, teria sido feito por meio da conta de Carlos Roberto Lopes, presidente da Conafer. Ele chegou a ser preso por determinação da CPMI do INSS após ser acusado de mentir durante depoimento ao colegiado.

O comerciante relatou ainda que Marcela teria participado de uma reunião pelo Google Meet na qual Lindbergh Farias supostamente estaria presente. A Polícia Legislativa continua investigando o caso para verificar a veracidade das informações e a eventual participação dos citados na suposta articulação.

*Informações de O Antagonista