Política

Brasil rebaixa relações com Argentina após novos ataques de Milei

A medida foi anunciada depois de Milei, durante evento que confirmou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência

Por Sputnik Brasil com Redação 05/08/2026 05h05
Brasil rebaixa relações com Argentina após novos ataques de Milei
Foto: © AP Photo / Ettore Chiereguini

O governo brasileiro rebaixou as relações diplomáticas com a Argentina após uma série de ataques do presidente Javier Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi anunciada depois de Milei, durante evento que confirmou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato à presidência, voltar a fazer críticas contundentes ao governo brasileiro.

Em decisão inédita na história das relações bilaterais, o Itamaraty comunicou nesta terça-feira (4) ao embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, que as negociações diplomáticas passarão a ser conduzidas apenas pelo encarregado de negócios. A informação foi inicialmente publicada pelo jornal argentino Clarín.

A resposta brasileira inclui ainda a retirada de Julio Bitelli da Embaixada do Brasil em Buenos Aires, deixando o cargo vago enquanto persistirem os ataques de Milei ao presidente Lula e a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Raimondi não será declarado persona non grata nem expulso do país, mas deixará de ser o principal interlocutor das relações bilaterais, que passam a ser tratadas em nível diplomático inferior.

A decisão foi tomada pouco mais de uma semana após Milei participar, em São Paulo, do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. No evento, o presidente argentino chamou Lula de "ladrão" e "presidiário" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca", após o magistrado impedir sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Na última segunda-feira (3), Milei voltou a atacar Lula em entrevista à mídia local. "Ele foi solto por causa de uma falha processual. Ele não é inocente. [...] É muito menos grave chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", afirmou o presidente argentino.

Milei também acusou Lula de interferir politicamente na região, dizendo que "se há alguém que interfere politicamente na região, é Lula, contaminando por completo com as ideias imundas do socialismo", sem apresentar provas dessas alegações.

Queda de popularidade na Argentina

Especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil apontam que os insultos de Milei fazem parte de uma estratégia para fortalecer sua base em meio à queda de popularidade. "Hoje, não conseguimos separar tanto política externa e interna. As duas estão muito entrelaçadas", avalia a pesquisadora Beatriz Bandeira de Mello.

Segundo ela, diante da impopularidade, Milei tende a reforçar sua agenda alinhada aos EUA e criar tensões com parceiros regionais, como já fez com Espanha e Colômbia.

Apesar das tensões políticas, a relação econômica entre Brasil e Argentina permanece sólida. Em 2025, o comércio bilateral atingiu R$ 160 bilhões, e a integração produtiva e o Mercosul reduzem o risco de ruptura comercial.

A internacionalista Flávia Loss destaca que as ações de Milei criam uma animosidade entre os países, prejudicial para ambos. O maior risco, segundo ela, é o desgaste gradual da confiança política, reduzindo o espaço para novas iniciativas de integração regional e coordenação de políticas públicas.

Por Sputnik Brasil