Política

Diplomatas apontam 'chantagem' dos EUA e veem relação Brasil-EUA fragilizada

Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde o início de 2025

Por Sputnik Brasil com Redação 05/08/2026 05h05
Diplomatas apontam 'chantagem' dos EUA e veem relação Brasil-EUA fragilizada
Foto: © AP Photo / Jacquelyn Martin

A revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, foi interpretada por diplomatas como uma forma de "chantagem" por parte de Washington, evidenciando o momento delicado nas relações entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto.

De acordo com apuração do portal G1, diversos diplomatas classificaram como "chantagem" a decisão dos EUA, já que a normalização da permanência da embaixadora brasileira foi condicionada ao aval do Itamaraty ao novo embaixador norte-americano, Daniel Perez.

O indicado do governo americano já foi aprovado por uma comissão do Senado dos EUA e aguarda votação no plenário. Contudo, Washington não realizou a tradicional consulta prévia a Brasília sobre o nome, procedimento considerado de praxe em casos como esse.

Os Estados Unidos estão sem embaixador no Brasil desde o início de 2025, quando Elizabeth Bagley foi chamada de volta ao país após a posse de Donald Trump. Desde então, a missão diplomática tem sido chefiada pelo encarregado de negócios Gabriel Escobar.

O jornalista João Paulo Charleaux, colunista do UOL, relatou que um embaixador brasileiro, sob anonimato, afirmou que as relações entre Brasil e Estados Unidos estão "trincadas".

"Há uma escalada em curso, na qual um episódio negativo vai engrenando outro. [...] Tudo está muito contaminado agora por um processo eleitoral no qual o apelo ao nacionalismo brasileiro entrou na agenda da campanha."

A decisão de revogar o visto de Ribeiro Viotti também foi influenciada por outros episódios recentes, como a recusa do Itamaraty em conceder visto a dois diplomatas do Departamento de Estado dos EUA — o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson — que planejavam visitar o Brasil.

O governo americano negou que a missão tivesse o objetivo de interferir nas eleições brasileiras e afirmou que a viagem trataria de temas como integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, em reuniões com autoridades e representantes da sociedade civil.

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