Política

PF adia depoimento de Valdemar Costa Neto em investigação sobre emendas

Investigação apura suspeitas de que servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado em um esquema para direcionar emendas conforme interesses atribuídos ao presidente de partido

Por Sputnik Brasil 03/08/2026 16h04
PF adia depoimento de Valdemar Costa Neto em investigação sobre emendas
Investigação apura suspeitas de que servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado em um esquema - Foto: © Foto / Twitter / Reprodução

A Polícia Federal (PF) adiou o depoimento do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, previsto para esta segunda-feira (3), no âmbito do inquérito que investiga supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares. O cancelamento ocorreu após solicitação da defesa, e uma nova data ainda não foi definida.

A investigação apura suspeitas de que servidores da Câmara dos Deputados teriam atuado em um esquema para direcionar emendas conforme interesses atribuídos ao presidente do partido. Segundo a PF, pelo menos 21 emendas, totalizando R$ 119,2 milhões, teriam sido indicadas de forma irregular.

Com base nas apurações, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou em julho a suspensão das emendas sob investigação e o bloqueio de bens de Valdemar até o valor correspondente aos recursos suspeitos.

O inquérito também atinge o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-MG). De acordo com a PF, Cunha teria indicado emendas sem competência legal, já que está sem mandato desde 2016, quando foi cassado, e não se elegeu nas eleições de 2022, obtendo pouco mais de cinco mil votos em São Paulo.

Defesa argumenta ausência de poder jurídico

No final de julho, a defesa de Valdemar apresentou manifestação ao STF, afirmando que o presidente do PL não possui poder jurídico para indicar emendas parlamentares. Segundo os advogados, o dirigente apenas apresenta sugestões políticas a deputados e senadores do partido, que podem aceitá-las, modificá-las ou rejeitá-las.

A defesa também sustenta que não existe a figura jurídica de "emenda do presidente do partido" e que a decisão final sobre a indicação dos recursos cabe às bancadas, lideranças e comissões do Congresso.

A manifestação foi enviada após o ministro Flávio Dino determinar que presidentes de todos os partidos com representação no Congresso esclarecessem ao STF se participam da definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas parlamentares.

A decisão do ministro foi motivada por uma entrevista em que Valdemar afirmou que presidentes de partidos costumam participar da definição das prioridades para a distribuição de emendas.

Na ocasião, Valdemar argumentou que as direções partidárias possuem uma visão nacional das necessidades das legendas, enquanto deputados tendem a concentrar suas indicações nas demandas de suas bases eleitorais.