Política

Chanceler argentino nega rompimento de relações com Brasil após tensão entre os dois países

Quirino afirmou que as divergências entre os governos refletem diferenças ideológicas, mas não devem ser transferidas para o campo institucional

Por Sputnik Brasil com Redação 30/07/2026 05h05
Chanceler argentino nega rompimento de relações com Brasil após tensão entre os dois países
Foto: © Divulgação / Presidência da Argentina

O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirino, descartou a possibilidade de rompimento das relações diplomáticas com o Brasil, mesmo diante do recente aumento das tensões entre os dois países após declarações do presidente argentino Javier Milei contra o governo brasileiro.

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (29) à rádio argentina Mitre, Quirino afirmou que as divergências entre os governos refletem diferenças ideológicas, mas não devem ser transferidas para o campo institucional. “Temos que enquadrar esse último episódio em uma série de acontecimentos que vêm ocorrendo entre Brasil e Argentina por diferenças políticas e ideológicas que o presidente Milei tem com o presidente Lula. Nós vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente”, declarou o chanceler.

Embaixador brasileiro permanece no Brasil

De acordo com informações do G1, após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, ficou decidido que o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, permanecerá em solo brasileiro por tempo indeterminado. A secretária de América Latina e Caribe, Gisela Maria Figueiredo Padovan, também participou do encontro.

A medida é interpretada no meio diplomático como um sinal de protesto e serve para reavaliar o relacionamento entre os dois países. O retorno ou recolhimento definitivo do embaixador será avaliado conforme a reação argentina.

As tensões se intensificaram no último fim de semana, quando Milei insultou o presidente Lula durante a convenção do PL, evento que oficializou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República em 2026.

A resposta do governo brasileiro foi imediata. Questionado sobre as declarações de Milei, Lula rebateu ironicamente: “quem é esse cara?”. Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente argentino de “palhaço”.

Na mesma entrevista à rádio Mitre, Quirino reiterou o apoio do governo argentino à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Apesar das diferenças políticas e da recente queda nas transações comerciais, o Brasil segue sendo o principal parceiro comercial da Argentina.