Política

Caso Master: JHC não teme investigação, mas processa críticos

Segundo interlocutores, ele não demonstra preocupação com uma eventual investigação da Assembleia Legislativa, da Polícia Federal ou do Ministério Público

Por Blog de Edivaldo Junior 26/06/2026 12h12
Caso Master: JHC não teme investigação, mas processa críticos
. - Foto: Reprodução

A articulação de deputados estaduais para instalar uma CPI sobre os investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) no Banco Master não deve alterar a estratégia do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, JHC (PSDB).

Segundo interlocutores, ele não demonstra preocupação com uma eventual investigação da Assembleia Legislativa, da Polícia Federal ou do Ministério Público.

De acordo com esses interlocutores, JHC determinou que o Iprev fornecesse todas as informações solicitadas pelos órgãos de investigação desde o início das apurações. A avaliação dentro do grupo político do ex-prefeito é que as aplicações foram realizadas dentro da legislação vigente e que a documentação comprovará a regularidade das operações.

A Prefeitura de Maceió também sustenta que os investimentos seguiram critérios técnicos e legais e afirma que adotará todas as medidas judiciais para tentar recuperar os mais de R$ 117 milhões aplicados no Banco Master. A administração garante ainda que o pagamento de aposentados e pensionistas está preservado, independentemente do desfecho da liquidação da instituição financeira.

Apesar do discurso de tranquilidade em relação às investigações, JHC não demonstra a menor tolerância. A judicialização tem sido usada em muitos casos como respostas a críticas ou questionamentos relacionados ao caso.

Nesta semana, o ex-prefeito ingressou com uma ação contra Izael Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), depois que ele participou uma representação encaminhada à Polícia Federal pedindo investigação sobre as aplicações do Iprev no Banco Master.

Ao comentar o processo, Izael afirmou que a entidade não pretende recuar. Segundo ele, o objetivo do sindicato é garantir a apuração dos fatos e a proteção dos recursos da previdência municipal.

"Não aceitaremos nenhum tipo de intimidação ou de cerceamento da fala. Queremos que cada centavo volte para o Instituto de Previdência e que a Polícia Federal faça seu trabalho e investigue os responsáveis pelo rombo do Iprev", afirmou o presidente do Sinteal. (Já é Notícia)

O episódio se soma a outras ações judiciais movidas por JHC contra jornalistas, veículos de comunicação e comunicadores que abordaram o Caso Master. Os profissionais atingidos, segundo reportagem da (Mídia Caeté) afirmam que as medidas têm efeito intimidatório e classificam a estratégia como uma tentativa de censura ao debate sobre um tema de interesse público.

A posição do ex-prefeito, no entanto, é diferente. Nas ações judiciais, sua defesa sustenta que diversas publicações extrapolaram o direito à crítica ao associar diretamente seu nome às operações realizadas pelo Iprev, autarquia que possui administração própria.

Os advogados argumentam que conteúdos considerados ofensivos ou difamatórios ferem sua honra e imagem, razão pela qual recorreram ao Judiciário para buscar reparação e a retirada de publicações específicas.

É justamente esse contraste que alimenta o debate político.

De um lado, aliados afirmam que JHC não teme qualquer investigação e que a apuração poderá comprovar a legalidade dos investimentos. De outro, sindicatos, jornalistas e setores da oposição questionam por que um agente público que afirma não ter nada a esconder opta por judicializar críticas relacionadas a um caso que envolve recursos públicos e mobiliza investigações em andamento.

Enquanto a discussão avança no campo político e judicial, a possível instalação de uma CPI na Assembleia pode ampliar a pressão sobre o caso. Ao mesmo tempo, as investigações conduzidas pelos órgãos de controle seguirão determinando o ritmo de uma crise que ainda está longe de um desfecho.