Política

Vem que Dá Tempo ajuda AL a reduzir analfabetismo

Alagoas deixou de ser lanterna isolada do analfabetismo e reduziu o indicador em ritmo mais forte

Por Blog de Edivaldo Junior 24/06/2026 09h09
Vem que Dá Tempo ajuda AL a reduzir analfabetismo
Rafael Brito - Foto: Reprodução

A queda do analfabetismo em Alagoas não aconteceu por acaso. O Estado ainda tem uma das maiores taxas do país, mas os dados mais recentes do IBGE mostram uma mudança importante de trajetória: Alagoas deixou de ser lanterna isolada do analfabetismo e reduziu o indicador em ritmo mais forte que Brasil e o Nordeste.

Um dos programas que ajudam a explicar esse movimento é o Vem que Dá Tempo, criado em Alagoas em 2021, quando Rafael Brito era secretário de Educação do Estado (hoje ele é deputado federal) para buscar jovens e adultos que abandonaram os estudos e oferecer uma nova chance de conclusão do ensino fundamental.

A lógica do programa é simples e direta: levar de volta à escola quem ficou para trás. O público-alvo são pessoas que não concluíram o ensino fundamental, especialmente jovens e adultos fora da sala de aula. Os participantes fazem curso preparatório, passam por exame de certificação e, se aprovados, podem receber incentivo financeiro de R$ 500.

O programa atua justamente em uma das faixas mais difíceis da educação: a de adultos que já romperam o vínculo com a escola. Não basta abrir vaga. É preciso criar incentivo, facilitar o acesso, organizar polos de atendimento e oferecer um caminho possível para a certificação.

Segundo a Seduc, o Vem que Dá Tempo já beneficiou mais de 100 mil pessoas desde o início da iniciativa, em 2022. A avaliação é da gerente especial de Fortalecimento da Educação de Jovens e Adultos da secretaria, Dirlene Monte, para quem o programa se consolidou como uma ferramenta de retomada dos estudos e de inclusão social.

O número ajuda a dimensionar o alcance da política pública em um Estado que ainda convive com forte passivo educacional. É aí que o Vem que Dá Tempo entra na discussão sobre o analfabetismo.

Entre 2016 e 2025, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais caiu de 18,3% para 13,1% em Alagoas. A redução foi de 5,2 pontos percentuais, ou 28,4%. No mesmo período, o Nordeste reduziu a taxa de 13,9% para 10,6%, queda de 3,3 pontos percentuais, ou 23,7%. No Brasil, o índice saiu de 6,7% para 4,9%, redução de 1,8 ponto, ou 26,9%.

A comparação com o Piauí também é reveladora. Os dois estados chegaram a 2025 empatados, com taxa de 13,1%. Mas Alagoas partiu de um patamar pior. Em 2016, tinha 18,3% de analfabetismo, enquanto o Piauí registrava 16,2%. A queda piauiense foi de 3,1 pontos percentuais, ou 19,1%.

Ou seja: Alagoas chegou ao mesmo índice do Piauí, mas reduziu mais. O resultado não permite atribuir toda a melhora a um único programa. Educação é soma de fatores: alfabetização na idade certa, permanência na escola, EJA, busca ativa, transporte, renda, gestão e continuidade de políticas públicas.

Mas é possível afirmar que o Vem que Dá Tempo dialoga diretamente com o problema. Ao focar em jovens e adultos fora da escola, o programa ataca uma das raízes da baixa escolaridade em Alagoas e cria uma ponte para que esse público volte a estudar.

Entre pessoas com 60 anos ou mais, faixa em que o analfabetismo costuma ser mais resistente, Alagoas também apresentou melhora importante. A taxa caiu de 46,2% em 2016 para 35,1% em 2025. O Piauí ficou em 35,2%.

A diferença é pequena, de apenas uma casa decimal, mas reforça a tendência de melhora relativa do indicador alagoano.

A experiência também ganhou projeção nacional. O deputado federal Rafael Brito afirma ter criado o Vem que Dá Tempo quando comandava a Secretaria de Estado da Educação. Agora, apresentou o Projeto de Lei Educação Toda Hora, com o objetivo de levar a iniciativa ao restante do país.

A proposta busca resgatar jovens e adultos que abandonaram os estudos, com certificação, curso preparatório e incentivo financeiro.

O dado do IBGE reforça a importância desse tipo de política. Alagoas ainda está muito distante da média nacional e continua com um passivo educacional pesado, sobretudo entre adultos e idosos. Mas a curva mudou. E mudou em ritmo mais forte do que em boa parte do país.

A redução do analfabetismo não é apenas uma estatística educacional. Ela tem impacto direto na renda, no emprego, na cidadania e na capacidade de desenvolvimento do Estado.

Alagoas ainda tem muito a fazer. Mas, quando um estado historicamente marcado pelo analfabetismo deixa de ocupar sozinho a pior posição do país, vale olhar para as políticas que ajudaram a empurrar esse número para baixo.

O Vem que Dá Tempo é uma delas.