Política
"Caminho do meio": Lula diz que "nunca foi esquerdista" em áudio vazado no G7
Em conversa com a chefe do FMI e com o chanceler alemão capturada por agência, presidente brasileiro relembrou o passado sindical e rejeitou rótulo ideológico; petista também teve encontros rápidos com Donald Trump
Uma declaração de bastidor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pegou o mundo político de surpresa e promete render debates intensos. Durante a cúpula do G7 na cidade de Évian-les-Bains, na França, o chefe do Executivo brasileiro afirmou nesta quarta-feira (17) que "nunca foi esquerdista". O comentário foi feito em uma conversa informal cujo áudio acabou sendo capturado pela agência de notícias Associated Press.
Lula dialogava com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, quando soltou a definição ideológica. No trecho que vazou, o presidente argumentou que o mundo atual não é de esquerda, defendendo que "o mundo é do caminho do meio".
A fala surgiu após a chefe do FMI relembrar a forte expectativa internacional que cercava o primeiro mandato do petista, em 2003, sob a crença de que ele faria uma gestão puramente esquerdista. Lula negou o rótulo de pronto, resgatando seu passado como dirigente sindical e lembrando que chegou a ser tachado de "anticomunista" na década de 1980 por ter recusado uma viagem oficial à União Soviética.
Contatos rápidos com Donald Trump nos corredores
Além do diálogo que acabou vazando, a agenda de Lula no G7 também foi marcada por dois contatos rápidos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ocorridos na terça-feira (16).
O primeiro encontro aconteceu de forma descontraída nos corredores do evento, logo após o discurso do mandatário brasileiro. Trump abordou Lula cumprimentando-o em inglês com um "como você está?" e "bom trabalho". Por estar sem um intérprete por perto no exato momento, o presidente do Brasil limitou-se a acenar com a cabeça em agradecimento.
Mais tarde, após um concerto musical oferecido aos chefes de Estado e de governo, os dois voltaram a se cruzar e conversaram por cerca de dois minutos. Segundo relatos de assessores do governo brasileiro, o diálogo foi protocolar e não entrou em temas espinhosos da geopolítica atual, deixando de fora tópicos como o novo tarifaço americano e a recente classificação de facções criminosas como organizações terroristas.


