Política

Setor cultural aponta censura em audiências públicas da Câmara de Maceió

Representantes do setor cultural questionam exclusão temporária de vídeos e cobram maior participação social na gestão da cultura

Por Redação 02/06/2026 09h09 - Atualizado em 02/06/2026 09h09
Setor cultural aponta censura em audiências públicas da Câmara de Maceió
Participantes do setor cultural cobraram transparência e maior participação nas políticas públicas do município - Foto: Cortesia

A discussão ganhou força após a audiência pública realizada em 28 de maio de 2026, por solicitação do vereador Charles Herbert (PCdoB), para debater demandas do segmento cultural. Segundo participantes do encontro, o vídeo da transmissão, que havia sido disponibilizado no canal oficial da Câmara de Vereadores no YouTube, deixou de ficar acessível ao público dois dias após a realização da sessão.

Além da audiência de maio, participantes relataram que outras duas audiências públicas voltadas ao setor cultural, promovidas anteriormente pela vereadora Teca Nelma (PT), também ficaram indisponíveis no canal oficial da Casa Legislativa. A situação gerou questionamentos entre artistas, sindicatos e representantes de entidades culturais.

O encontro contou com a presença de representantes da Secretaria de Estado da Cultura, do Ministério da Cultura, do Ministério do Trabalho em Alagoas, da Defensoria Pública e de entidades representativas do segmento artístico, como o Sindicato dos Músicos e o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de Alagoas (Sated-AL). De acordo com os organizadores, representantes da Prefeitura de Maceió, da Secretaria Municipal de Cultura (SEMCE) e da Fundação Municipal de Ação Cultural (FMAC) foram convidados, mas não participaram da audiência.

Durante o debate, foram apresentados questionamentos sobre investimentos públicos destinados à cultura, especialmente em relação aos grandes eventos promovidos pela prefeitura. Entre os temas discutidos estavam a aplicação de recursos no setor cultural, a valorização dos artistas locais e a realização dos festejos juninos na capital.

Após a repercussão do desaparecimento dos vídeos, representantes do setor cultural comunicaram o fato ao vereador Charles Herbert. Segundo o relato apresentado durante os debates posteriores, a administração da Câmara informou que a indisponibilidade ocorreu em razão de um erro. Os vídeos teriam sido posteriormente restabelecidos ao público, incluindo a audiência realizada em maio e os encontros anteriores promovidos pela vereadora Teca Nelma.

Outro tema levantado por agentes culturais foi a concentração dos investimentos dos grandes eventos municipais, como o Massayó Verão e o São João Massayó, na região de Jaraguá. De acordo com representantes do setor, o modelo atual centraliza recursos e público em uma única área da cidade, reduzindo o alcance econômico que poderia beneficiar outros bairros.

Os participantes também defenderam a retomada de modelos descentralizados de celebração, com apresentações distribuídas em diferentes regiões da capital, valorizando manifestações culturais locais, grupos juninos e artistas da cidade.

Durante as discussões, representantes do segmento cultural apontaram ainda preocupações relacionadas ao funcionamento dos mecanismos de participação popular na gestão da cultura municipal. Entre os temas debatidos estiveram a situação do Conselho Municipal de Cultura e a execução de legislações voltadas ao setor.

Segundo os participantes, leis municipais que tratam da destinação de recursos para artistas locais, do funcionamento do Fundo Municipal de Cultura e da atuação do Conselho Municipal de Cultura precisam ser fortalecidas e efetivamente aplicadas.

A audiência também abordou mudanças ocorridas na estrutura administrativa da cultura em Maceió nos últimos anos. Entre elas estão a criação da Secretaria Municipal de Cultura em 2023, alterações nas atribuições da FMAC e mudanças na condução dos grandes eventos promovidos pela prefeitura.

As discussões ocorrem às vésperas do São João Massayó 2026, período em que representantes do setor cultural voltam a defender maior participação da sociedade civil nas decisões relacionadas às políticas públicas de cultura no município.