Política
Rodrigo ainda não indicou líder na Câmara: vereadores cobram diálogo
Nos bastidores, vereadores da base e da chamada bancada da governabilidade reclamam da falta de diálogo
Passados cerca de 50 dias da posse de Rodrigo Cunha na Prefeitura de Maceió, ainda não se sabe como será sua relação com a Câmara Municipal. Até agora, o novo prefeito não escolheu oficialmente o líder do governo na Casa, função que ficou vaga após a saída de Kelmann Vieira (MDB), que deixou o posto com a mudança na administração municipal.
Nos bastidores, vereadores da base e da chamada bancada da governabilidade reclamam da falta de diálogo político da atual gestão. A principal queixa envolve perda de espaço na estrutura da prefeitura e ausência de articulação direta com o prefeito.
“No final do governo JHC todos os cargos foram cortados. Não voltou nem a metade. E o pior é que praticamente não há diálogo com a atual gestão”, afirmou ao blog um vereador do PL.
Hoje, a base mais próxima de Rodrigo Cunha é formada por poucos nomes: Chico Filho, Cal Moreira, Kelmann Vieira e Eduardo Canuto, todos do PSDB, além de Samyr Malta (Pode), e Pastor João Luiz, suplente de Thiago Prado (PP).
A maior parte da Câmara passou a integrar a chamada bancada da governabilidade. São vereadores que votam com o Executivo nas pautas principais, mas sem participação efetiva no núcleo político da gestão.
Esse grupo, no entanto, começa a demonstrar incômodo com a falta de definição da prefeitura em relação ao Legislativo.
“Estamos sem entender qual será o posicionamento do prefeito, se ele vai conversar agora com os vereadores ou se vai deixar para iniciar o diálogo depois das eleições de outubro. Se fizer isso, será ruim para o grupo dele, porque mesmo vereadores candidatos podem não se envolver muito na campanha, seja proporcional ou majoritária”, avaliou outro vereador ouvido pelo blog.
A ausência de um líder formal do governo também amplia a sensação de desorganização política na Câmara. Sem interlocutor definido, vereadores reclamam da dificuldade para tratar demandas da base, encaminhar indicações e discutir espaços administrativos.
As dificuldades também se dão no contato direto com a prefeitura. O cargo de secretário de Governo – antes sob comando de Junior Leão, que era muito próximo dos vereadores - é ocupado interinamente.
Nesse ambiente de incerteza, alguns vereadores já sinalizam abertura para conversas com grupos de oposição ao prefeito. Mas essa é outra história.


