Política
MP de Alagoas aprofunda investigação sobre ONG que recebeu R$ 1,35 milhão
Associação Abraçando Vidas, de Lagoa da Canoa, é investigada por falta de prestação de contas, atividades irregulares de saúde e descarte suspeito de resíduos biológicos
O Ministério Público de Alagoas decidiu que a investigação sobre a Associação Abraçando Vidas precisa ir mais fundo. Nesta segunda-feira (18), o MP converteu a apuração em Inquérito Civil Público, por meio da Portaria nº 006/2026, assinada pelo promotor Lucas Schitini de Souza, da Promotoria de Feira Grande. A mudança de instrumento não é protocolar: significa que o prazo anterior não foi suficiente para analisar todos os documentos, e que novas diligências ainda precisam ser feitas.
O caso começou em janeiro de 2025, quando o MP recebeu uma denúncia sobre o destino de R$ 1,35 milhão repassados à ONG por emenda parlamentar da Assembleia Legislativa de Alagoas, liberada em 2020. O dinheiro deveria financiar ações de saúde, educação, nutrição e geração de renda em Lagoa da Canoa. O que a investigação encontrou até agora levanta dúvidas sobre se isso de fato aconteceu.
Os indícios apontam ausência de prestação de contas e irregularidades no funcionamento da entidade. A Prefeitura de Lagoa da Canoa informou ao MP que a associação realizava atividades de saúde sem as autorizações exigidas pelos órgãos competentes. A Vigilância Sanitária chegou a notificar a ONG para interromper parte dessas ações.
Há ainda um terceiro problema: suspeita de descarte irregular de resíduos odontológicos, incluindo materiais biológicos e perfurocortantes, o que pode representar risco sanitário para a população local.
O MP solicitou documentos financeiros do período entre 2020 e 2023, além de alvarás, licenças e certificados de regularidade. A associação, segundo o órgão, não respondeu aos pedidos de esclarecimento dentro do prazo.
Criada em 2016 para atuar em ações sociais, culturais e artísticas, a Abraçando Vidas expandiu com o tempo suas atividades para saúde e educação, áreas que exigem autorizações específicas. Se essas autorizações existem ou não, é justamente o que a investigação ainda precisa responder.


