Política
Zema critica Flávio Bolsonaro após escândalo envolvendo Vorcaro: 'Tapa na cara'
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que o episódio enfraquece o discurso da direita contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema (Novo), criticou publicamente nesta quarta-feira (13) o senador Flávio Bolsonaro após a divulgação de reportagens que apontam supostos repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que o episódio enfraquece o discurso da direita contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa", declarou.
A declaração ganhou destaque porque Zema e Flávio vinham mantendo proximidade política nos últimos meses, sendo inclusive cogitados como possíveis aliados para a eleição presidencial de 2026. Em abril, ambos chegaram a publicar um vídeo descontraído nas redes sociais, sugerindo uma chapa conjunta ao Palácio do Planalto, com Zema como vice.
Zema também afirmou que "é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil", ampliando o tom das críticas ao senador.
De acordo com o Intercept Brasil, documentos e mensagens indicam que pelo menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido destinados por Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025 para custear a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
A reportagem também divulgou um áudio de WhatsApp em que o senador cobra dinheiro de Vorcaro para finalizar o filme, no dia 8 de setembro de 2025, um dia antes do banqueiro ser preso pela Polícia Federal (PF) por fraude financeira, que gerou prejuízos de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A repercussão do caso aumentou a pressão sobre Flávio Bolsonaro dentro da própria direita. Outro pré-candidato do campo conservador, Renan Santos (Missão), afirmou que "onde há escândalo de corrupção, há Flávio Bolsonaro".
O senador, por sua vez, declarou que o contato com Vorcaro teve como objetivo buscar "patrocínio privado para um filme privado", sem uso de recursos públicos ou incentivos como a Lei Rouanet. Ele também defendeu a criação de uma CPI para investigar o Banco Master.
"Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", afirmou.
Novo pedido de dinheiro para filme do pai
Segundo o Intercept, Flávio Bolsonaro ainda negociava com Vorcaro um novo repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época), mas não há confirmação de que o pagamento tenha sido efetuado. O Banco Master foi liquidado e Vorcaro preso antes da conclusão do cronograma de pagamentos do filme.
Também são citados como intermediários na matéria o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e Mario Frias, deputado federal (PL-SP) e ex-secretário de Cultura no governo Bolsonaro.
Por Sputnik Brasil


