Política

"Não queremos guerra": Lula dá mais detalhes do encontro com Trump

Presidente brasileiro propõe disputa de "narrativas e fatos" em vez de confronto; países criam grupo de trabalho para resolver impasses comerciais

Por Redação com agências 09/05/2026 13h01
'Não queremos guerra': Lula dá mais detalhes do encontro com Trump
Lula e Trump na Malásia - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) compartilhou, nesta sexta-feira (8), detalhes sobre a reunião de cúpula realizada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quinta (7). Durante evento em Brasília voltado ao setor de energia, Lula revelou ter dito diretamente ao líder americano que não busca um cenário de hostilidade, reconhecendo a superioridade bélica dos EUA, mas enfatizando que a disputa deve ocorrer no campo das ideias e dos resultados práticos.

Lula destacou que o encontro, que durou cerca de três horas, serviu para "colocar a verdade na mesa". Em sua fala, o petista pontuou que o Brasil está disposto a provar suas teses através de fatos, sem a necessidade de confrontos diretos, e assegurou que o país trabalha com seriedade na relação bilateral com Washington.

Prazo para acordos comerciais


Um dos desdobramentos práticos da reunião foi a criação de um grupo de trabalho conjunto entre o Ministério da Indústria e do Comércio do Brasil e o departamento equivalente nos EUA. O objetivo é sanar divergências sobre tarifas comerciais em um prazo de 30 dias.

Lula criticou a disparidade de dados apresentados por ambos os lados até o momento e exigiu "números exatos" para avançar nas negociações. O presidente brasileiro afirmou que voltará a conversar com Trump após esse período, possivelmente por telefone, para selar os ajustes necessários, garantindo aos empresários brasileiros que o ambiente de negócios deve se intensificar daqui para frente.

"Homens de 80 anos"


Em um tom mais pessoal, Lula relatou ter recordado a Trump que ambos são líderes de 80 anos e que, pela idade avançada e pelo tempo limitado que a natureza impõe, "não brincam em serviço". Segundo o presidente, essa maturidade exige clareza sobre os objetivos de cada nação para evitar desperdício de esforços políticos.

O presidente brasileiro também reforçou sua postura de soberania externa ao declarar que o Brasil não é uma "republiqueta de bananas" nem aceita posições de submissão. "Ninguém respeita lambe-botas", disparou Lula, afirmando que o país possui base intelectual e tecnológica para ensinar, e não apenas aprender, nas relações internacionais.