Política

Lula busca frear influência de aliados de Flávio Bolsonaro em encontro com Trump

Por Sputnik Brasil 07/05/2026 10h10
Lula busca frear influência de aliados de Flávio Bolsonaro em encontro com Trump
Lula e Trump na Malásia - Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aposta que a reunião com Donald Trump pode reduzir a influência de aliados de Flávio Bolsonaro na Casa Branca, em um momento em que o senador do PL-RJ avança nas pesquisas eleitorais.

No Planalto, a avaliação é que o encontro pode consolidar Lula como principal interlocutor do governo norte-americano, enquanto bolsonaristas tentam pautar Washington contra o presidente brasileiro.

Segundo reportagem de um jornal de grande circulação, a reunião ocorre em meio à movimentação de Flávio Bolsonaro, que busca ampliar sua interlocução nos EUA com o apoio do irmão, Eduardo Bolsonaro, réu no STF por coação no processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, e de Paulo Figueiredo.

A expectativa do governo brasileiro é que a conversa com Trump fortaleça Lula no cenário internacional. O encontro foi agendado após telefonema do ex-presidente americano, que sugeriu a reunião pessoalmente. A dupla Eduardo-Figueiredo já influenciou decisões dos EUA no passado, como o aumento de tarifas, ao relatar suposta perseguição política no Brasil.

Na ocasião, aliados de Trump foram informados sobre a baixa popularidade de Lula e sugeriram que uma ação dos EUA poderia enfraquecê-lo. No entanto, o efeito foi o oposto: Lula usou o episódio para se fortalecer politicamente. Agora, o Planalto acredita que Trump tem uma nova percepção sobre o presidente brasileiro e não repetirá situações constrangedoras, como ocorreu com o líder ucraniano Volodymyr Zelensky em 2025.

Aliados de Flávio afirmam ter alertado autoridades americanas sobre críticas de Lula a Trump e sobre o que consideram a atuação de organizações criminosas no Brasil. Ainda assim, reconhecem que o comportamento imprevisível de Trump dificulta prever o impacto político do encontro.

O governo brasileiro considera o momento estratégico, já que Lula deve intensificar sua pré-campanha a partir de junho. Inicialmente, havia receio de que a visita coincidisse com a guerra no Irã, iniciada em fevereiro, mas agora há expectativa de anúncio de trégua ou acordo de paz, o que favorece a agenda internacional.

O Planalto também vê oportunidade eleitoral: Lula pretende demonstrar que, apesar das diferenças ideológicas, é capaz de dialogar com Trump como chefe de Estado, priorizando relações comerciais e diplomáticas. As negociações entre os dois governos ocorrem desde outubro, mas foram adiadas por impasses comerciais.

Além do aspecto político, Lula leva aos EUA pautas práticas, como cooperação em segurança pública, combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro, e discussões sobre terceiros países. O governo brasileiro busca evitar que Washington classifique PCC e CV como organizações terroristas, teme exploração eleitoral do tema e pretende avançar em projetos sobre terras raras e na defesa do Brasil na investigação da Seção 301 sobre possíveis práticas comerciais desleais.