Política

Gaspar pode trocar “vaga” no Senado por segundo turno ao governo de AL

Gaspar mantém a pré-candidatura ao Senado, mas admite disputar o governo em situações específicas

Por Blog de Edivaldo Junior 04/05/2026 13h01
Gaspar pode trocar “vaga” no Senado por segundo turno ao governo de AL
Alfredo Gaspar - Foto: Reprodução

O deputado federal Alfredo Gaspar (PL) aparece hoje como um dos nomes mais competitivos na disputa ao Senado em Alagoas. Mas os movimentos dos últimos dias indicam que esse cenário pode mudar — e que ele pode acabar trocando uma vaga considerada mais segura por uma aposta mais arriscada: a disputa ao governo.

A sinalização veio de entrevistas. Gaspar mantém a pré-candidatura ao Senado, mas admite disputar o governo em situações específicas: recuo de JHC (PSDB), necessidade de garantir palanque para Flávio Bolsonaro no Estado e, principalmente, definição clara de campo político. Para ele, é inegociável subir no mesmo palanque da esquerda.

Esse último ponto passou a pesar mais nos últimos dias. A aproximação de JHC com o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), identificado com a esquerda, criou um novo elemento na equação. Gaspar já afirmou publicamente que não aceita esse tipo de composição. Na prática, isso amplia a distância entre os dois e reduz as chances de uma aliança.

Ao mesmo tempo, não avançaram as conversas entre JHC e o grupo liderado por Arthur Lira (PP). Sem essa ponte, cresce a possibilidade de o PL lançar candidatura própria ao governo. Nesse cenário, o nome mais provável é o de Gaspar, embora haja quem cite também o vereador Leonardo Dias.

Gaspar já avisou. Não será candidato a reeleição como deputado federal, avaia que o ideal seria unir a oposição em torno de um nome ao governo, desde que seja garantido o palanque de Flávio Bolsonaro e da direita. Sem essa unidade, ele sinaliza que pode trocar a disputa ao Senado pelo governo.

Quem precisa de quem?

A leitura é simples: JHC não precisa de Gaspar para disputar o governo. E Gaspar não depende de JHC para disputar o Senado. Ele já se posiciona como um dos principais nomes da direita em Alagoas, enquanto o ex-prefeito tenta ocupar um espaço de centro-direita ou centro, evitando associação direta com o bolsonarismo.

Mas é justamente esse movimento que pode empurrar a decisão. Se houver necessidade de garantir um palanque competitivo para Flávio Bolsonaro — e há —, Gaspar passa a ser o nome natural para a disputa ao governo. E, nesse caso, entraria no jogo com potencial para alterar o cenário e levar a eleição, hoje polarizada entre JHC e Renan Filho, ao segundo turno.

A escolha não é simples. De um lado, uma disputa ao Senado com caminho mais previsível e maior chance de vitória. Do outro, uma eleição majoritária mais incerta, mas com capacidade de dar uma virada de mesa.

Ao fim e ao cabo, Gaspar poderá reviver o confronto de 2020 com JHC. Ele saiu na frente no primeiro turno, mas foi o adversário quem venceu no segundo turno. Num confronto entre os três, todos os resultados são possíveis, mas, na leitura de hoje, o mais provável é que o senador Renan Filho passe ao segundo turno com um dos dois: JHC ou Gaspar. Os dois iriam para o tudo ou nada. Mas essa é outra história