Política
Câmara de Maceió passa por nova divisão após chegada de Rodrigo Cunha: 6 x 5
Mudanças partidárias e rearranjos ampliam a oposição e reduzem a base do prefeito
A chegada de Rodrigo Cunha à Prefeitura de Maceió provocou uma reacomodação na Câmara de Vereadores e alterou o desenho político da base, da oposição e do chamado bloco de governabilidade.
Até o fim de março, o cenário era mais estável. Dos 27 vereadores, três estavam na oposição, 17 integravam a base do governo e sete compunham a chamada bancada de governabilidade, que vota com o Executivo em pautas estratégicas, mas evita exposição em embates políticos.
Esse quadro começou a mudar com a saída de JHC do PL e sua filiação ao PSDB.
Dos 11 vereadores eleitos pelo PL, apenas três acompanharam o ex-prefeito na mudança partidária: Chico Filho, Cal Moreira e Eduardo Canuto. Os três passam a formar a espinha dorsal da nova base do governo na Câmara.
A eles se somam pelo menos mais três nomes: Samyr Malta, Keann Vieira e Pastor João Luiz, suplente de Thiago Prado. Com isso, a base mais próxima de Rodrigo Cunha começa menor e mais concentrada.
Do outro lado, a oposição cresce.
Antes restrita a Rui Palmeira, Teca Nelma e Silvio Camelo — hoje licenciado, com Charles Herbert em exercício —, o bloco oposicionista ganha reforço com a entrada de Leonardo Dias e Galba Netto, ambos do PL. Os dois romperam com o grupo de JHC e passaram a adotar postura crítica em relação à atual gestão.
O movimento amplia o peso da oposição no plenário e também no debate público, já que Leonardo Dias, líder do PL, tem adotado atuação mais incisiva nas redes sociais e na tribuna.
Entre base e oposição, permanece a chamada bancada de governabilidade.
São vereadores que, em geral, votam com o Executivo em matérias relevantes, mas mantêm postura mais discreta, evitando confronto direto e preservando margem de negociação política.
Esse grupo tende a ganhar importância no novo cenário.
Com uma base mais enxuta e uma oposição em crescimento, Rodrigo Cunha passa a depender mais da articulação com esse bloco intermediário para garantir maioria nas votações e estabilidade na Câmara.
O novo desenho ainda está em formação.
Mas já indica uma mudança relevante: o prefeito inicia a gestão com uma base menor do que a herdada e com um ambiente político mais competitivo no Legislativo.
O que antes era maioria confortável agora exige articulação mais constante.


