Política
Júlia Nunes rebate Albuquerque após ser chamada de “advogadazinha"; veja
Deputado nega que parlamentares escondam suspeito de estupro em fazenda e aciona a polícia contra advogada
Um embate acalorado tomou conta dos bastidores políticos e jurídicos de Alagoas nesta quarta-feira (29), após a advogada Júlia Nunes reagir publicamente às ofensas proferidas pelo deputado estadual Antônio Albuquerque na tribuna da Assembleia Legislativa (ALE). Durante sessão realizada na terça-feira, o parlamentar utilizou termos como “advogadazinha de quinta categoria” para criticar a atuação da profissional no caso que envolve Victor Bruno da Silva Santos, de 18 anos, conhecido como “Vitinho”, suspeito de estupro e foragido da Justiça desde março de 2025.
O descontentamento de Albuquerque surgiu após declarações de Júlia Nunes sugerindo que um parlamentar estaria acobertando o foragido em uma propriedade rural no município de Coité do Nóia. Sem citar nomes, as insinuações da advogada foram recebidas como uma ofensa coletiva pelo deputado, que cobrou a identificação imediata do suposto envolvido. “Isso tem me incomodado profundamente. Não admito que uma advogada use rede social para fazer insinuações contra esta Casa”, disparou Albuquerque, acusando a profissional de tentar tirar “proveito criminoso” da situação para ganhar visibilidade.
Em resposta, Nunes publicou um vídeo afirmando que não se deixará intimidar pelo que classificou como uma postura arrogante do parlamentar. Segundo ela, ao ser atacada verbalmente, a ofensa se estende a todas as mulheres e advogadas que buscam justiça. “Deputado, eu respeito o cargo que você ocupa, mas não confunda a autoridade com arrogância. Quando você me chama de advogadinha de quinta, você atinge tantas outras mulheres que eu acolhi e dei voz através do meu trabalho”, rebateu a advogada.
Enquanto o clima de hostilidade cresce entre as partes, o suspeito Victor Bruno segue com mandado de prisão preventiva em aberto. Diante da gravidade das acusações de que uma autoridade estaria dificultando a captura do jovem, Antônio Albuquerque informou ter enviado ofícios à Polícia Federal e à Polícia Civil de Alagoas exigindo uma investigação rigorosa para identificar quem seria o político citado por Júlia Nunes.
O caso agora transcende a esfera criminal do abuso sexual e passa a ser monitorado pelos órgãos de controle devido às graves denúncias de obstrução de justiça no interior do estado.


