Política
PF consulta Lula sobre abertura de inquérito contra Flávio Bolsonaro
Procedimento investigativo apura supostos crimes contra a honra do presidente em publicação feita pelo senador na rede social X
A Polícia Federal (PF) enviou um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para consultar seu interesse em formalizar uma representação criminal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A medida é um passo necessário para dar prosseguimento ao inquérito determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga supostos crimes contra a honra cometidos pelo parlamentar.
De acordo com o parecer da corporação, a manifestação do presidente é indispensável, uma vez que a legislação penal brasileira exige a autorização da vítima para que o Estado possa processar delitos de injúria, calúnia ou difamação. "Expedição de ofício ao Exmo. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consultando-o sobre o interesse de representar para a inauguração da persecução penal relativa aos delitos contra a sua honra", cita trecho do documento técnico da PF.
Origem da investigação
O caso foi motivado por uma publicação feita por Flávio Bolsonaro no dia 3 de janeiro de 2026, na plataforma X (antigo Twitter). Na postagem, o senador associou a imagem de Lula à de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e afirmou que o petista seria "delatado" por supostos crimes.
A abertura do inquérito atende a um pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), que foi encaminhado ao STF. O ministro Alexandre de Moraes estabeleceu um prazo de 60 dias para a realização das diligências iniciais pela Polícia Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também emitiu parecer favorável à apuração, indicando que há indícios suficientes para o início da investigação.
Próximos passos
Caso o presidente Lula manifeste interesse favorável ao prosseguimento da ação, o processo será encaminhado à Diretoria de Inteligência da Polícia Federal (DIP/PF). A partir desse ponto, a corporação dará continuidade às medidas de polícia judiciária e à coleta de provas para instruir o inquérito. Caso não haja representação por parte do presidente, o procedimento tende ao arquivamento por falta de condição de procedibilidade.

