Política
Lula defende liderança na transição energética, diz “cansamos de ser pequenos”
Ao lado de autoridades alemãs, Lula defendeu uma parceria estratégica com a Alemanha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na abertura do pavilhão brasileiro na Feira Industrial de Hanover, que o Brasil está pronto para liderar a transição energética global, deixando para trás o papel de coadjuvante no cenário internacional.
Ao lado de autoridades alemãs, Lula defendeu uma parceria estratégica com a Alemanha e ressaltou a competitividade da matriz energética renovável brasileira. O presidente destacou que o país reúne condições únicas para se consolidar como referência mundial em inovação, biocombustíveis e indústria limpa.
"O Brasil é um país que quer se transformar em uma economia rica. Nós cansamos de ser tratados como um país pobre e pequeno", declarou Lula, diante de representantes brasileiros e alemães.
Ele enfatizou que o Brasil possui uma sólida base intelectual e tecnológica, citando empresas como Petrobras e Embraer, terceira maior fabricante de aviões do mundo. Lula também sugeriu ampliar a cooperação com a Alemanha para toda a América do Sul e, futuramente, para o continente africano.
O discurso reforçou a estratégia do governo de posicionar o Brasil como liderança na economia verde. Lula afirmou que cerca de 90% da matriz elétrica nacional é renovável, conferindo ao país uma vantagem competitiva em relação a outras economias industrializadas.
O presidente ressaltou o avanço dos biocombustíveis, lembrando que o Brasil já utiliza 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no diesel, o que reforça o potencial brasileiro em energia limpa. Lula propôs uma comparação internacional das emissões de combustíveis usados em veículos pesados, especialmente caminhões, afirmando que o combustível brasileiro já emite menos CO₂ do que alternativas fósseis de outros países.
"Vamos fazer uma comparação entre os combustíveis brasileiros e os combustíveis alemães ou qualquer outro combustível de outro país", sugeriu.
Após a abertura do pavilhão, Lula visitou estandes de empresas brasileiras como WEG, Vale, Volkswagen Brasil, Embraer e Bayer Brasil. Dois caminhões movidos a biocombustível foram apresentados, incluindo um modelo da Mercedes-Benz abastecido com biodiesel verde. O presidente afirmou que a presença brasileira em Hanover também busca aprofundar a cooperação tecnológica com a Alemanha. "Viemos aqui para aprender [...] e mostrar aquilo que nós somos capazes de fazer", destacou.
Lula defendeu ainda o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Alemanha, afirmando que a cooperação pode impulsionar investimentos, inovação e novas cadeias produtivas sustentáveis.
Ao encerrar o discurso, Lula reforçou que o Brasil busca um novo lugar no cenário internacional, com protagonismo econômico e compromisso ambiental. Para ele, a participação na feira simboliza essa ambição: "Depois da participação do Brasil nesta feira, a relação Alemanha e Brasil nunca mais será a mesma".

