Política

Grupo de servidores da Câmara recebeu R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016

Altos servidores da Câmara acumulam milhões em horas extras fora do teto

Por Redação* 17/04/2026 11h11
Grupo de servidores da Câmara recebeu R$ 9,3 milhões em horas extras desde 2016
Câmara dos deputados - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Um grupo de 13 servidores concursados em cargos de alto escalão da Câmara dos Deputados recebeu, desde 2016, cerca de R$ 9,3 milhões apenas em pagamentos de horas extras, já corrigidos pela inflação.

O levantamento aponta que esses servidores, muitos em funções de direção, passaram a registrar ganhos elevados com esse tipo de verba, frequentemente superiores a R$ 20 mil e, em alguns casos, ultrapassando R$ 30 mil mensais.

Por ser classificado como pagamento extraordinário, o valor das horas extras não entra no cálculo do teto constitucional do funcionalismo público, o que permite remunerações acima do limite estabelecido.

Para atingir esses montantes, seria necessário cumprir o limite máximo de horas extras durante a semana, além de trabalho em fins de semana e feriados.

Os dados foram obtidos a partir de informações públicas disponibilizadas pela própria Câmara, com base nos contracheques dos servidores. O grupo analisado reúne os 13 funcionários que mais receberam valores desse tipo desde 2016.

O maior volume foi pago ao advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes, que acumulou R$ 1,06 milhão no período. Apenas em 2025, foram R$ 174,6 mil em horas extras. Os registros mostram que os pagamentos elevados não são recentes — em 2019, por exemplo, ele recebeu R$ 150,3 mil.

Em seguida aparece o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil acumulados desde 2016. Em 2025, ele recebeu R$ 160,7 mil em horas extras.

Brandão assumiu o cargo em agosto de 2025, por indicação do presidente da Câmara, Hugo Motta, substituindo o então diretor-geral ligado ao ex-presidente da Casa, Arthur Lira. Servidor de carreira, ele atua há mais de 12 anos no órgão e é responsável pela gestão administrativa da instituição.

Outros servidores em posições estratégicas também aparecem na lista, reforçando a concentração dos maiores valores em cargos de direção.

Justificativa da Câmara


Em nota, a Câmara dos Deputados afirmou que os pagamentos refletem uma “jornada semanal extenuante”, frequentemente superior a 40 horas, com registro obrigatório de frequência por meio de sistema biométrico, inclusive em fins de semana e feriados.

Segundo a instituição, não há pagamento de horas extras sem justificativa formal, autorização prévia e comprovação por meio de registro eletrônico. A Casa afirma ainda que os pagamentos seguem as regras da Lei nº 8.112/1990 e normas internas.

*Com informações do Metrópoles