Política

Paulo entra com dois pés na eleição e vai até o fim para fazer sucessor

O governador não ficou no cargo por acaso

Por Blog de Edivaldo Junior 14/04/2026 15h03
Paulo entra com dois pés na eleição e vai até o fim para fazer sucessor
Renan Filho e Paulo Dantas durante evento do Ministério dos Transportes. - Foto: Reprodução

É irregular e passível de punição. Ainda assim, o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), publicou em seu perfil pessoal no Instagram uma pesquisa de intenção de voto não registrada para os cargos de presidente, governador e senador no estado, com dados específicos do município de Arapiraca.

Não. Não foi apenas o resultado de uma pesquisa em uma só cidade, dado que tem pouco poder para influenciar o resultado de uma eleição estadual que vai ocorrer daqui a 170 dias. Foi mais do que isso. Foi um recado. Paulo Dantas está avisando que está entrando no jogo. E quem conhece o governador sabe: ele vai até o fim.

O governador não ficou no cargo por acaso. Ele tem uma missão. Um compromisso. Quer eleger seu sucessor. E vai usar tudo que puder para conseguir a vitória.

A postagem — anote a data — vai além da reprodução de números em um perfil de redes sociais. É uma virada de página. Paulo Dantas está entrando de corpo e alma na campanha para levar Renan Filho e todo o seu grupo à vitória.

Consequências

Foi apenas uma publicação simples nos stories: o resultado da pesquisa, com a tarja “Arapiraca é Renan Filho”. Bastou para ganhar repercussão. Alguns sites ligados ao grupo de JHC registraram o fato, mas terminaram fazendo o que talvez Paulo Dantas queria: reproduzir a pesquisa em que Renan Filho aparece com cinco vezes mais votos que o ex-prefeito de Maceió na maior cidade do interior de Alagoas.

O problema, como alertaram esses sites, é que, desde 1º de janeiro de 2026, a legislação eleitoral tornou crime divulgar pesquisas não registradas previamente na Justiça Eleitoral. A conduta pode render ao gestor multa que varia de R$ 53.205 a R$ 106.410, além do risco de responsabilização por desobediência.

De fato, o caso deve parar no Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL). A pesquisa divulgada por Paulo Dantas, que não tem registro nem o nome do instituto responsável, contraria dados de levantamentos recentes feitos no estado.

O governador é experiente e sabe que corre o risco de ver o caso parar nos tribunais. Quem faz política sabe que o enfrentamento ocorre em todos os campos, inclusive no Judiciário.

Em campanha, processo no TRE vira efeito colateral. E qual político passa por uma eleição sem enfrentar a Justiça Eleitoral?