Política
Alycia da Bancada Negra desafia poderosos: “Desistir não é uma opção”
Alycia carrega no próprio nome político a identidade que construiu ao longo dos últimos anos
Alycia Oliveira, ou simplesmente Alycia da Bancada Negra, decidiu ir mais uma vez à luta. Pela terceira vez, a liderança do coletivo que leva o mesmo nome tenta ocupar uma vaga na Assembleia Legislativa de Alagoas — agora em um cenário que tende a ser um dos mais polarizados dos últimos anos.
Mulher negra, LGBTQIA+, nascida em Fernão Velho e moradora do Feitosa, Alycia carrega no próprio nome político a identidade que construiu ao longo dos últimos anos: a de uma candidatura coletiva, enraizada na periferia e nas pautas sociais.
A Bancada Negra surgiu em 2017, como uma proposta de fazer política fora dos padrões tradicionais. Desde então, o grupo participa de eleições e busca espaço institucional, sempre com base em um projeto coletivo.
Na última eleição, o coletivo alcançou a segunda suplência e teve uma das maiores votações dentro do PT em Maceió — um desempenho que consolidou a Bancada Negra como uma das experiências mais consistentes da esquerda local.
Agora, Alycia volta ao campo de disputa.
“Desistir não é uma opção. O que acreditamos está no primeiro plano e vamos enfrentar os desafios”, afirma.
“Outra Assembleia Legislativa alagoana é possível. E essa mudança começa com a coragem de romper o círculo vicioso da herança política”, diz em tom desafio aos poderosos da política alagoana.
Identidade e ruptura
A pré-candidatura é apresentada como uma tentativa de romper com o padrão dominante da política alagoana, historicamente marcado por estruturas familiares e concentração de poder.
“Eu não venho de uma família tradicional da política. Venho de uma linhagem de mulheres negras que resistiram para que eu pudesse estar aqui hoje”, diz.
Alycia afirma que sua trajetória política foi construída sem os “atalhos” comuns no meio político.
“Mesmo sem ter o perfil que muitos acham que a política exige, sigo ocupando. Esse lugar também é nosso”, reforça.
Projeto coletivo
Diferente de candidaturas individuais, a proposta da Bancada Negra se apoia na construção coletiva.
“Será nossa quinta eleição (em pelo menos uma eleição, a bancada teve como nome Jeamerson da Bancada Negra). Qual coletivo em Alagoas conseguiu construir isso? O que vemos são projetos familiares ou individuais de poder. Um projeto coletivo como o nosso é raro”, afirma.
A estratégia é manter a conexão com as bases, especialmente nas periferias, e defender pautas ligadas à população negra, mulheres, LGBTQIA+ e trabalhadores.
Entre os temas centrais defendidos pela Bancada Negra estão:
– fim da escala 6x1
– combate ao racismo estrutural
– defesa dos direitos das mulheres
– cidadania LGBTQIA+
– fortalecimento das políticas públicas nas periferias
Alycia também reforça que o objetivo vai além da ocupação de espaço institucional.
“Não é só sobre ocupar um lugar. É sobre mudar quem decide, como decide e para quem as políticas públicas servem”, afirma.
Momento político
A nova candidatura ocorre em um ambiente de disputa acirrada e forte polarização. Para setores da esquerda, candidaturas como a de Alycia representam a tentativa de ampliar a diversidade social dentro dos espaços de poder.
Na eleição municipal mais recente, ela foi uma das mais votadas em Maceió, alcançando 3.025 votos e ficando na segunda suplência da federação, além de ter sido o segundo nome mais votado do PT.
Agora, a expectativa é transformar capital político em representação institucional.
“A gente sabe das dificuldades. Mas também sabe da força que vem da base. E ela não é pequena”, resume.
No centro do discurso, uma ideia que sintetiza a estratégia:
Outra Assembleia é possível.
E, para Alycia da Bancada Negra, essa mudança começa com coragem.

