Política

CPI do Crime Organizado convoca Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Campos Neto

Os integrantes da CPI decidiram convocar Castro e Ibaneis após os ex-governadores não atenderem aos convites da comissão

Por Agência Brasil com Redação 31/03/2026 13h01
CPI do Crime Organizado convoca Ibaneis Rocha, Cláudio Castro e Campos Neto

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado (CPI do Crime Organizado) do Senado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação dos ex-governadores do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor do requerimento de convocação de Ibaneis, afirmou que o depoimento do ex-governador do DF é fundamental para que a CPI compreenda as relações comerciais entre o escritório de advocacia de Ibaneis e entidades investigadas pela Polícia Federal (PF), além dos critérios que nortearam decisões de governo sobre negociações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Ao justificar o pedido, Vieira ressaltou que, segundo informações preliminares, o escritório fundado por Ibaneis manteve contratos milionários com entidades ligadas ao Grupo Reag Investimentos e ao Banco Master, ambos alvos de investigações federais, além de ter recebido transferências financeiras atípicas do Grupo J&F.

De acordo com o senador, enquanto esteve à frente do Executivo distrital, Ibaneis teria “agido pessoalmente para aprovar” que o banco público do DF adquirisse o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que já havia vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos questionados.

No caso de Cláudio Castro, Vieira destacou que o depoimento do ex-governador do Rio de Janeiro proporcionará à CPI um “panorama macroestratégico inestimável”, permitindo investigar falhas e gargalos institucionais que dificultam o combate à lavagem de dinheiro e à asfixia financeira do crime organizado, além de analisar a infiltração de criminosos no aparato estatal.

Segundo Vieira, o Rio de Janeiro tornou-se, há algum tempo, “o laboratório das mais sofisticadas dinâmicas do crime organizado no país”.

“Nos últimos anos, observou-se uma mutação alarmante nesse cenário: a outrora nítida divisão entre facções ligadas ao narcotráfico e grupos milicianos formados por agentes e ex-agentes de segurança pública deu lugar a uma simbiose criminosa, frequentemente denominada narcomilícia”, afirmou.

“É neste ponto nevrálgico que a oitiva do senhor Cláudio Castro, na condição de ex-governador do estado, revela-se não apenas pertinente, mas absolutamente indispensável para o avanço dos trabalhos desta Comissão”, sustentou Vieira, relator da CPI.

Ausências

Os integrantes da CPI decidiram convocar Castro e Ibaneis após os ex-governadores não atenderem aos convites da comissão. Pelo mesmo motivo, o colegiado aprovou uma nova convocação para ouvir Roberto Campos Neto, que presidiu o Banco Central entre 2019 e janeiro de 2025.

A reconvocação também foi proposta por Vieira, após Campos Neto informar que não poderia comparecer à reunião da CPI desta terça-feira.

“A presente convocação [de Campos Neto] não lhe atribui a priori qualquer responsabilidade pelos fatos objeto desta investigação”, destacou Vieira, ao requerer que o ex-presidente do Banco Central seja ouvido na condição de testemunha qualificada.

O relator da CPI afirmou que “os procedimentos, os instrumentos e as práticas institucionais do Banco Central podem contribuir de forma relevante para os trabalhos da comissão”.