Política
Senadora diz que só se desculpa após exame de DNA inocentar Gaspar
Gaspar nega as acusações e afirma que o caso citado pelos parlamentares envolve, na verdade, um primo
A senadora Soraya Thronicke afirmou que só fará um pedido público de desculpas ao deputado federal Alfredo Gaspar caso um exame de DNA comprove que ele não é o pai de uma criança ligada a um caso de acusação de estupro. A parlamentar sustenta que há indícios suficientes para a notícia-crime protocolada na Polícia Federal e defende a apuração completa dos fatos.
As acusações foram apresentadas por Thronicke e pelo deputado Lindbergh Farias durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS, na última sexta-feira (27). Após o episódio, ambos formalizaram o pedido de investigação junto à Polícia Federal.
Gaspar nega as acusações e afirma que o caso citado pelos parlamentares envolve, na verdade, um primo. Segundo ele, o episódio diz respeito a um relacionamento entre esse parente e uma jovem em Alagoas, e não a ele próprio. O deputado também anunciou que irá acionar a Polícia Federal e o Conselho de Ética da Câmara contra os acusadores.
De acordo com Thronicke e Farias, o caso envolve o suposto estupro de uma adolescente de 13 anos, ocorrido há cerca de oito anos, que teria resultado em uma gravidez. Atualmente, a jovem teria 21 anos, e a criança, 8. Os parlamentares afirmam ainda que a avó da criança teria sido registrada como mãe, em razão da idade da adolescente à época.
Os dois sustentam que encaminharam à Polícia Federal provas como capturas de tela de conversas e outras informações. Também alegam que houve tentativa de suborno por parte de um intermediário ligado a Gaspar, com pagamento inicial de R$ 70 mil e promessa de outros R$ 400 mil para garantir o silêncio da suposta vítima.
A senadora afirma que sua atuação teve como objetivo evitar prevaricação, ou seja, a omissão diante de um possível crime. Segundo ela, a solução para o caso é simples: a realização de um exame de DNA. “Se ele não for o pai biológico, pedirei desculpas publicamente pelo constrangimento”, declarou.
Gaspar, por sua vez, contesta a versão apresentada. Ele afirma que há inconsistências nas datas e nega a ocorrência de estupro. A defesa do deputado apresentou um exame de DNA, datado de 2014, que indicaria a paternidade do primo no caso citado.
Como surgiram as acusações
A controvérsia teve início durante a leitura do relatório final da CPI do INSS, da qual Gaspar é relator. Durante a sessão, ele citou declarações antigas do ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, com críticas ao ministro Gilmar Mendes.
A intervenção gerou reação de Lindbergh Farias, que pediu foco no relatório. A discussão escalou rapidamente, com troca de ofensas entre os parlamentares, incluindo a acusação direta de estupro. O clima de tensão levou à interrupção da sessão.
Após o episódio, Thronicke e Farias formalizaram a denúncia à Polícia Federal, solicitando investigação sob sigilo, além de medidas como proteção à suposta vítima e apuração de possíveis crimes, incluindo estupro de vulnerável e fraude processual.
*Com informações do Estadão Conteúdo


