Política
Estupro: Gaspar apresenta provas de outro caso, diz senadora
Soraya afirma que defesa do deputado não corresponde à denúncia levada à PF; versões seguem em confronto
A denúncia de estupro de vulnerável envolvendo o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) entrou em uma nova fase neste sábado (28), com o agravamento do confronto de versões entre acusação e defesa. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou no X que o parlamentar apresentou elementos que não correspondem ao caso que está sendo investigado pela Polícia Federal.
A acusação foi formalizada na sexta-feira (27), quando Soraya e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolaram uma notícia de fato na Polícia Federal pedindo investigação sobre suposto crime ocorrido há cerca de oito anos. Segundo os parlamentares, o caso envolveria uma adolescente de 13 anos que teria engravidado, com uma criança que hoje teria 8 anos.
Em resposta, Alfredo Gaspar negou as acusações e sustentou que houve confusão de identidade. O deputado apresentou exame de DNA e divulgou vídeo em que uma jovem afirma não ser sua filha e nega ter sido vítima de estupro. Segundo ele, o episódio citado pelos acusadores refere-se a um primo, Maurício César Brêda Filho.
A versão foi contestada pela senadora.
Em publicação nas redes sociais, Soraya afirmou que o material apresentado pelo deputado nas redes sociais diz respeito a outro caso e não responde à denúncia levada à Polícia Federal. “Estamos tratando de uma possível filha de 8 anos, cuja mãe tem 21. Façam as contas”, escreveu. Segundo ela, o vídeo e o exame de DNA apresentados pela defesa referem-se a uma situação distinta, envolvendo familiares do parlamentar.
A senadora também afirmou que os elementos apresentados por Gaspar não esclarecem os fatos apontados na representação e alertou para o que classificou como tentativa de confundir a opinião pública.
O impasse permanece: enquanto a defesa sustenta que toda a acusação se baseia em erro de identificação, os autores da denúncia afirmam que as provas apresentadas por Gaspar não têm relação com o caso investigado.
Além disso, os parlamentares dizem ter encaminhado à Polícia Federal registros, incluindo conversas e informações que indicariam tentativa de pagamento para silenciar a suposta vítima, com valores que chegariam a R$ 470 mil.
O caso segue sem conclusão. A Polícia Federal ainda analisa os elementos apresentados e deve decidir sobre eventual abertura de inquérito.
No Congresso, o episódio amplia a tensão política em torno da CPMI do INSS, com desdobramentos que já ultrapassam o campo jurídico e impactam diretamente o ambiente político em Brasília.
Nota
Em nota o deputado negou as acusações. Veja a íntegra da nota do deputado
Ao longo de toda a minha vida pública, construí uma trajetória limpa, honrada e dentro da lei. Sempre atuei com firmeza no combate ao crime e jamais me afastei dos princípios que norteiam minha conduta.
As acusações recentemente levantadas por Lindbergh Farias e Soraya Thronicke são falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis. Trata-se de uma tentativa clara de desviar o foco das graves investigações conduzidas pela CPMI do INSS, por meio de ataques pessoais e narrativas sem qualquer respaldo na realidade.
Não aceitarei que minha honra e minha história sejam atingidas por mentiras. Adotarei todas as medidas judiciais cabíveis para responsabilizar os autores dessas acusações, inclusive no âmbito do Conselho de Ética. Estou indo na Polícia Federal prestar uma notícia crime por coação no curso do processo e denunciação caluniosa.
Seguirei firme, com serenidade e responsabilidade, cumprindo meu dever com a verdade e com o povo brasileiro. O Brasil merece respeito, e não será enganado por ataques desesperados.


