Política
Deputados acionam PF e acusam Alfredo Gaspar de estupro; parlamentar nega e reage
Denúncia foi apresentada em Brasília e envolve suposto crime contra menor; deputado alagoano afirma que caso é falso e promete medidas judiciais
O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), presidente do Partido Liberal em Alagoas e relator da CPMI do INSS, passou a ser alvo de uma denúncia grave levada à Polícia Federal por parlamentares da base do governo Lula na Câmara dos Deputados e Senado Federal. A acusação, formalizada por meio de notícia de fato apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), envolve suspeita de estupro de vulnerável e possível tentativa de ocultação do caso.
O documento foi protocolado nestaa sexta-feira (27), em Brasília, com pedido de tramitação sob sigilo, coleta de provas e eventual proteção às pessoas envolvidas. Segundo os autores da representação, há indícios de que o suposto crime teria ocorrido anos atrás, quando a vítima teria 13 anos de idade. A denúncia menciona ainda a possibilidade de gravidez decorrente do caso, além de suposta atuação de intermediários e pagamento para evitar que o episódio chegasse às autoridades.
De acordo com os parlamentares, os elementos apresentados à Polícia Federal incluem registros e informações que, na avaliação deles, justificam a abertura de investigação. A notícia de fato, no entanto, não representa conclusão de culpa, mas um pedido formal para que os órgãos competentes apurem os fatos.
A acusação ganhou repercussão rapidamente porque feita durante sessão da CPMI do INSS, também em Brasília. Em meio a um bate-boca no colegiado, Lindbergh Farias fez referência direta à denúncia e chamou Alfredo Gaspar de “estuprador”, elevando o tom do confronto político e ampliando a exposição do caso.
Alfredo Gaspar reagiu imediatamente às acusações. O deputado negou qualquer envolvimento no episódio e classificou a denúncia como “falsa, leviana e irresponsável”. Segundo ele, o caso estaria sendo indevidamente atribuído ao seu nome e envolveria, na realidade, um primo com identificação semelhante.
O parlamentar afirmou ainda que possui exame de DNA que comprovaria não ter qualquer relação com a criança mencionada na denúncia. Além da defesa pública, Gaspar anunciou que adotará medidas judiciais contra os acusadores, incluindo ações por danos morais e representação no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
O episódio ocorre em um ambiente político já tensionado pela atuação da CPMI do INSS, comissão que investigou irregularidades em benefícios previdenciários e provocou embates frequentes entre governistas e oposicionistas. Na avaliação de Gaspar, a denúncia seria uma tentativa de desviar o foco das investigações conduzidas pelo colegiado.
Até o momento, não há decisão judicial nem investigação formal concluída sobre o caso. Caberá à Polícia Federal analisar os elementos apresentados na notícia de fato e definir se há base para abertura de inquérito. Enquanto isso, o episódio se desdobra simultaneamente nas esferas policial e política, com potencial de ampliar a disputa entre governo e oposição no Congresso Nacional.


