Política

Com 80% dos prefeitos, base forte e Bolsonaro, Lira precisa de JHC?

Os números colocam Lira em um patamar semelhante ao do senador Renan Calheiros

Por Blog de Edivaldo Junior 24/03/2026 13h01
Com 80% dos prefeitos, base forte e Bolsonaro, Lira precisa de JHC?
Lira dá demonstração de força no lançamento de sua pré-candidatura ao Senado - Foto: Assessoria

Foi uma demonstração de força política cuidadosamente calculada. Arthur Lira (PP) mostrou, no lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, que está proto para a batalha. Mais do que o evento em si, o que ficou foi o tamanho da base mobilizada: 83 prefeitos, além de vereadores, deputados e lideranças de todo o Estado.

É estrutura. E não é pequena.

Os números colocam Lira em um patamar semelhante ao do senador Renan Calheiros (92 prefeitos) no chamado voto de base nas cidades do interior. Na prática, mostra que o deputado construiu uma rede capilarizada nos municípios, capaz de sustentar uma campanha competitiva.

Sem depender de terceiros.

Mesmo sem definição de palanque ao governo — e em meio ao impasse com JHC — Lira mostrou que tem musculatura para seguir adiante com candidatura própria ao Senado. O ato serviu como termômetro.

“São mais de 80 prefeitos aqui presentes. Essa relação de confiança é construída com trabalho e compromisso”, afirmou Lira na sexta-feira (20/03), ao destacar sua presença nos municípios ao longo dos últimos anos.

Mas a força não se limita aos prefeitos.

Lira também reúne um bloco relevante no campo partidário. Tem influência direta, hoje, sobre quatro dos maiores partidos do Congresso Nacional: PP, União Brasil, PL e Republicanos — legendas que concentram quase metade da Câmara dos Deputados e garantem tempo de televisão e acesso ao fundo eleitoral. Além destas legendas, Lira ainda terá o apoio de outros partidos.

É poder político organizado.

Na bancada federal, conta com o apoio - além dele próprio - de ao menos quatro dos nove deputados (Fábio Costa, Marx Beltrão, Daniel Barbosa e Alfredo Gaspar).

Na Assembleia Legislativa, soma cerca de uma dúzia de parlamentares entre aliados diretos e indiretos, consolidando presença também no plano estadual. Além de 7 deputados do PP/União, um parlamentar do PL, outro do Republicanos e pelo menos mais três do MDB.

Capilaridade completa.

Há ainda um fator novo nesse cenário. Lira passou a contar com o apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que pode lhe garantir uma fatia relevante do eleitorado mais ideológico da direita em Alagoas.

Voto fiel.

Esse segmento, historicamente mais disciplinado, tende a seguir orientações políticas com maior coesão. Na prática, representa um reforço importante para uma candidatura que já nasce estruturada. Amplia o alcance.

Diante desse conjunto — prefeitos, partidos, mandatos e voto ideológico — cresce nos bastidores a avaliação de que Lira pode disputar o Senado sem depender diretamente de um candidato forte ao governo. É o cálculo.

Talvez por isso tenha avançado na disputa pelo controle do PL e endurecido a relação com JHC. Ao assumir o risco de um rompimento, o deputado sinaliza que confia na própria base para sustentar a campanha. Jogou alto.

Resta saber se essa estrutura, por si só, será suficiente em uma eleição majoritária de alta competitividade, com duas vagas ao Senado em jogo e vários candidatos fortes. Ao que parece Lira decidiu ir em frente sem o prefeito de Maceió.

A dúvida que fica é outra: será que Lira ainda vai precisar de JHC?

Essa resposta. Só virá mais adiante.