Política
Com 80% dos prefeitos, base forte e Bolsonaro, Lira precisa de JHC?
Os números colocam Lira em um patamar semelhante ao do senador Renan Calheiros
Foi uma demonstração de força política cuidadosamente calculada. Arthur Lira (PP) mostrou, no lançamento de sua pré-candidatura ao Senado, que está proto para a batalha. Mais do que o evento em si, o que ficou foi o tamanho da base mobilizada: 83 prefeitos, além de vereadores, deputados e lideranças de todo o Estado.
É estrutura. E não é pequena.
Os números colocam Lira em um patamar semelhante ao do senador Renan Calheiros (92 prefeitos) no chamado voto de base nas cidades do interior. Na prática, mostra que o deputado construiu uma rede capilarizada nos municípios, capaz de sustentar uma campanha competitiva.
Sem depender de terceiros.
Mesmo sem definição de palanque ao governo — e em meio ao impasse com JHC — Lira mostrou que tem musculatura para seguir adiante com candidatura própria ao Senado. O ato serviu como termômetro.
“São mais de 80 prefeitos aqui presentes. Essa relação de confiança é construída com trabalho e compromisso”, afirmou Lira na sexta-feira (20/03), ao destacar sua presença nos municípios ao longo dos últimos anos.
Mas a força não se limita aos prefeitos.
Lira também reúne um bloco relevante no campo partidário. Tem influência direta, hoje, sobre quatro dos maiores partidos do Congresso Nacional: PP, União Brasil, PL e Republicanos — legendas que concentram quase metade da Câmara dos Deputados e garantem tempo de televisão e acesso ao fundo eleitoral. Além destas legendas, Lira ainda terá o apoio de outros partidos.
É poder político organizado.
Na bancada federal, conta com o apoio - além dele próprio - de ao menos quatro dos nove deputados (Fábio Costa, Marx Beltrão, Daniel Barbosa e Alfredo Gaspar).
Na Assembleia Legislativa, soma cerca de uma dúzia de parlamentares entre aliados diretos e indiretos, consolidando presença também no plano estadual. Além de 7 deputados do PP/União, um parlamentar do PL, outro do Republicanos e pelo menos mais três do MDB.
Capilaridade completa.
Há ainda um fator novo nesse cenário. Lira passou a contar com o apoio explícito do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que pode lhe garantir uma fatia relevante do eleitorado mais ideológico da direita em Alagoas.
Voto fiel.
Esse segmento, historicamente mais disciplinado, tende a seguir orientações políticas com maior coesão. Na prática, representa um reforço importante para uma candidatura que já nasce estruturada. Amplia o alcance.
Diante desse conjunto — prefeitos, partidos, mandatos e voto ideológico — cresce nos bastidores a avaliação de que Lira pode disputar o Senado sem depender diretamente de um candidato forte ao governo. É o cálculo.
Talvez por isso tenha avançado na disputa pelo controle do PL e endurecido a relação com JHC. Ao assumir o risco de um rompimento, o deputado sinaliza que confia na própria base para sustentar a campanha. Jogou alto.
Resta saber se essa estrutura, por si só, será suficiente em uma eleição majoritária de alta competitividade, com duas vagas ao Senado em jogo e vários candidatos fortes. Ao que parece Lira decidiu ir em frente sem o prefeito de Maceió.
A dúvida que fica é outra: será que Lira ainda vai precisar de JHC?
Essa resposta. Só virá mais adiante.


