Política

“Gigantão”, Lira mostra força e empareda JHC na disputa eleitoral

Lira não tira JHC do jogo, mas consegue emparedá-lo fora da capital

Por Blog de Edivaldo Junior 23/03/2026 05h05
“Gigantão”, Lira mostra força e empareda JHC na disputa eleitoral
Arthur Lira e JHC , ex-aliados em rota de colisão. - Foto: Reprodução

A política, como a comunicação, vive de símbolos. E, em Alagoas, eles se cruzam no tempo. Enquanto o prefeito de Maceió, JHC, reforça sua marca administrativa com o discurso do “gigante” — obras, entregas aceleradas e a inauguração do chamado “Gigantão” — o deputado federal Arthur Lira responde em outro terreno: o da articulação política.

E com efeito imediato. Na sexta-feira (20/03), às vésperas de mais um movimento de forte apelo popular da gestão municipal – a inauguração do Gigantão - Lira reuniu mais de 80 prefeitos em Maceió. Foi uma demonstração objetiva de força fora da capital, do “gigantão” Arthur Lira.

Não foi apenas um evento político. Foi posicionamento. Um recado. Sem confronto direto, mas com leitura clara: no interior, o jogo tem outra lógica — e outro comando de forças. O contraste é inevitável.

JHC construiu, nos últimos anos, uma gestão com comunicação eficiente e capacidade de entrega – e contou ao menos nesse quesito com a ajuda de Lira durante grande parte da gestão. A partir da capital, tornou-se uma das principais lideranças do Estado, com base sólida em Maceió e boa conexão com o eleitor urbano. Mas ainda em processo de expansão.

Do outro lado, Lira opera com uma engrenagem diferente. Trabalha base municipal, articula prefeitos, distribui recursos e organiza alianças. Usa o peso político de Brasília — e das emendas — como instrumento de presença territorial.

E ao fazer isso exatamente no momento em que JHC reforça a narrativa do “gigantão”, cria um contraste político inevitável — quase um jogo de espelhos: o gigantismo das obras encontra o gigantismo da articulação.

O efeito é imediato. Lira não tira JHC do jogo, mas consegue emparedá-lo fora da capital, reduzindo — ao menos por agora — o alcance de uma liderança que vinha em trajetória de crescimento. Impõe limites. E obriga reação.

A saída do PL - maior partido do Congresso Nacional, com forte apelo popular - e a migração para o PSDB, hoje um partido pequeno, com apenas 18 deputados federais e 3 senadores, ampliam esse desafio.

Ao deixar uma estrutura nacional robusta e ingressar em um partido menor, JHC ganha autonomia, mas perde capilaridade imediata — especialmente no interior, onde a política se constrói com presença contínua e alianças consolidadas.

E é justamente nesse terreno que Lira mostra vantagem. A disputa está aberta.

JHC tem popularidade e capacidade de comunicação para ampliar seu alcance e transformar força urbana em presença estadual, mas o tempo não corre a seu favor. Lira, por sua vez, sinaliza que não pretende ceder espaço — e que sabe usar o poder acumulado para definir o ritmo do jogo.

No fim, será uma batalha de narrativas contra estruturas. Quem vencerá a disputa: o tamanho do discurso ou o tamanho da base?.