Política
JHC está fora do PL e avalia cinco opções de partido para 2026
A permanência no PL se tornou inviável diante das condições impostas pelo diretório nacional do partido
O prefeito de Maceió, JHC, voltou de Brasília com uma decisão praticamente consolidada nos bastidores. A permanência no PL se tornou inviável diante das condições impostas pelo diretório nacional do partido. A saída passou a ser o caminho mais provável — ainda que não tenha sido formalizada.
Ele fica, mas por pouco tempo. Dias, talvez horas.
Na reunião com Flávio Bolsonaro, realizada na segunda-feira (16/03)JHC deixou claro que só permaneceria no PL se tivesse o comando da legenda em Alagoas, com liberdade para montar a chapa majoritária e disputar o Senado. A proposta incluía ainda a indicação de Marina Candia, sua esposa, para a disputa.
Não avançou. Nem deve avançar.
A orientação de Jair Bolsonaro já está definida: o PL deve apostar em Arthur Lira e Alfredo Gaspar para o Senado em Alagoas. Nesse desenho, o espaço para o prefeito simplesmente não existe, o que o coloca, na prática, fora do partido.
Informalmente, quem passa comandar o PL é Arthur Lira. Diante disso, JHC passou a avaliar alternativas. O convite do senador Renan Calheiros, colocando o MDB à disposição, foi recebido, mas não sensibilizou. Ao comentar o gesto, o prefeito classificou como “entretenimento político”.
A frase diz muito. E encerra o assunto.
Nos bastidores, a leitura é de que o MDB não faz parte do plano. A aproximação com os Calheiros, neste momento, não se encaixa na estratégia política do prefeito, que busca preservar identidade própria e margem de manobra. Sem amarras.
Outras legendas foram procuradas. Segundo apuração do jornalista Lauro Jardim, em Brasília JHC conversou com dirigentes de Podemos, Republicanos, PSDB, PSB e PSD, todos abrindo espaço para uma eventual filiação. Mas nem todas são caminhos viáveis.
O Podemos perde força pela percepção de que pode sofrer influência de Arthur Lira, repetindo o mesmo problema enfrentado no PL. O PSB, apesar da relação de amizade e confiança com João Campos, não combina com o posicionamento atual de JHC, mais alinhado ao centro-direita. Não “encaixa”, simplesmente.
O Republicanos também gera resistência. Interlocutores apontam que a influência de Hugo Motta poderia favorecer indiretamente Lira no estado. O atual presidente da Câmara dos Deputados teria interesse em ver Lira, potencial rival na disputa da sua reeleição, longe da Casa.
Já o PSD, sob comando de Paulo Dantas, exigiria uma negociação mais complexa. Não é simples.
Sobra o PSDB. A legenda aparece como uma alternativa mais ajustada, sob comando de Teotonio Vilela Filho em Alagoas, aliado de Rodrigo Cunha, vice-prefeito de Maceió. É um caminho com menos atrito político imediato. E com alguma previsibilidade.
Mas há uma carta própria. O DC, partido presidido nacionalmente por João Caldas, pai de JHC, surge como opção em que o prefeito poderia ter controle total. Mesmo com pouca estrutura, garantiria liberdade plena para decidir candidatura, alianças e estratégia E isso pesa.
Porque, no fim, a exigência é uma só: comando. JHC só muda de partido se tiver controle da legenda. Sem isso, não há acordo — nem avanço.
A decisão sai logo. E pode redefinir o jogo. Até lá, o prefeito mantém o estilo. Observa, mede forças e evita declarações ou posicionamento direto. Enquanto isso, o jogo se reorganiza ao redor de um silêncio que, mais uma vez, fala alto. JHC, ao estilo, se mantém no centro das atenções sem dizer nada.
E sim. Anote. Tudo pode acontecer, inclusive nada. Porque entre querer disputar o governo e renunciar a dois anos e nove meses de prefeitura tem um longo caminho, com noites maldormidas entre os dias. Mas essa é outra história


