Política
Ausência de JHC marca rompimento com Lira e divide oposição em AL
O evento do PP, montado para ser uma demonstração de força, pode passar a carregar outro significado
Prefeito não deve ir vai ato do PP, e gesto expõe ruptura no campo adversário
A decisão do prefeito de Maceió, JHC, de não comparecer ao lançamento da pré-candidatura de Arthur Lira ao Senado, marcado para as 9h00 desta sexta-feira, ganha leitura política imediata.
Não é agenda. É sinal.
A ausência ocorre em um momento decisivo das articulações eleitorais e, nos bastidores, já é tratada como um gesto claro de distanciamento. Mais do que isso: indica que o rompimento entre os dois grupos está praticamente consolidado. Falta dizer. Mas já aconteceu.
O evento do PP, montado para ser uma demonstração de força, pode passar a carregar outro significado. Sem a presença de JHC, perde o caráter de unidade e reforça a percepção de que a oposição não conseguiu construir um palanque comum.
E dificilmente construirá.
Até pouco tempo, o desenho era outro. A ideia era uma composição em que JHC disputaria o governo, enquanto Lira lideraria a chapa ao Senado, possivelmente ao lado de Alfredo Gaspar. Parecia viável. Mas travou.
A divergência sobre o comando do projeto e, principalmente, sobre a formação da chapa majoritária, inviabilizou o acordo. JHC quer protagonismo e espaço para indicar nomes. Lira conseguiu o controle do PL. Não houve convergência.
Ao mesmo tempo, outro movimento reforça a ruptura. O PP já admite trabalhar com a possibilidade de lançar um nome próprio ao governo, sinalizando que deixou de contar com JHC como candidato do grupo. É mudança de rota.E definitiva.
Com isso, o cenário se reorganiza. De um lado, Lira estrutura seu projeto com base no PP e aliados. Do outro, JHC busca novo caminho partidário e mantém em aberto sua candidatura.
A oposição, que caminhava para uma composição mais ampla, passa agora a se apresentar dividida em Alagoas. E essa divisão ocorre justamente às vésperas das decisões mais importantes do calendário eleitoral.
O tempo é curto. E o impacto é grande.
Enquanto isso, o grupo governista acompanha o movimento. A fragmentação do campo adversário tende a facilitar o cenário para quem já está no poder, reduzindo o nível de enfrentamento direto.
Sem precisar entrar no jogo. Por enquanto.
No fim, o que marca esse momento não é o discurso. É a ausência.
E, na política, ausências assim costumam dizer mais do que qualquer declaração.


