Política

Silêncio de JHC dá margem para possível aliança com os Renans

Nos bastidores, o que se comenta é que JHC pode perder o comando do PL em Alagoas para Arthur Lira (PP).

Por Blog de Edivaldo Junior 17/03/2026 08h08
Silêncio de JHC dá margem para possível aliança com os Renans
JHC - Foto: Reprodução/Instagram

A política de Alagoas vive dias de intensa movimentação nos bastidores. No centro das atenções está o prefeito de Maceió, JHC. Nessa segunda-feira (16/03) pela manhã, recebeu afagos do senador Renan Calheiros, que colocou o MDB à disposição do prefeito – acaso ele precise de um partido para chamar de seu.

Nos bastidores, o que se comenta é que JHC pode perder o comando do PL em Alagoas para Arthur Lira (PP). A versão que corre nos bastidores é que a direção nacional condicionou sua permanência no comando da legenda a uma candidatura a governador, tendo como candidatos ao Senado Arthur Lira e Alfredo Gspar.

JHC não gostou da “trava”. Segundo diferentes versões que circularam nos bastidores e nos blogs de política, o prefeito viajou ontem mesmo para Brasília, onde teria se reunido com Flávio Bolsonaro.

Mas, mais uma vez, o movimento mais significativo foi o que não aconteceu. JHC permaneceu em silêncio. O prefeito recebeu publicamente um convite do senador Renan Calheiros, que declarou que o MDB está à disposição de JHC e de toda a sua equipe para as eleições deste ano.

A declaração ganhou repercussão imediata na política local. Ainda assim, o prefeito não reagiu.

Nenhuma declaração. Nenhuma nota oficial. Nenhuma postagem nas redes sociais. Nenhuma negativa. Nem mesmo em veículos ou canais mais próximos do seu grupo político.

Na política, o silêncio raramente é casual. Pode significar prudência. Pode indicar cálculo. Ou simplesmente manter portas abertas.

Nos bastidores ele inclusive sinaliza que quer encontrar um jeito de ajudar Renan Calheiros – desde que isso não arranque nenhum pedaço de sua imagem como político.

Enquanto isso, outra movimentação ocorreu em Brasília. JHC teria se reunido com o senador Flávio Bolsonaro, responsável por conduzir as articulações do PL nos estados.

Segundo relatos que circulam em diferentes meios políticos, o prefeito teria dito que aceita disputar o governo de Alagoas, mas não estaria disposto a ter papel secundário na formação da chapa majoritária.

Entre as hipóteses discutidas estaria a indicação de Marina Cândia, esposa de JHC, como candidata ao Senado. Arthur Lira apareceria como segundo nome.

A proposta alteraria o desenho que vinha sendo ventilado dentro do campo conservador, onde muitos apostavam numa composição com Arthur Lira e Alfredo Gaspar disputando as duas vagas ao Senado.

Se confirmada, a condição colocada por JHC representaria uma mudança importante no equilíbrio interno do grupo. Mas há dúvidas. A principal delas: Arthur Lira aceitaria esse formato?

Outra pergunta igualmente importante permanece no ar: JHC estaria disposto a continuar no PL sem garantias de controle sobre o partido em Alagoas após deixar a prefeitura?

Interlocutores próximos ao prefeito afirmam que ele quer liberdade para decidir qual cargo disputar e como montar a chapa.

Mas há quem avalie que as condições atribuídas a JHC podem ser também uma estratégia para ganhar tempo.

Tempo para observar o movimento dos adversários. Tempo para medir forças dentro e fora do partido. Enquanto isso, o convite de Renan Calheiros segue sem resposta. E continua sobre a mesa.

Se aceitar, JHC poderia encontrar um novo caminho político — inclusive para disputar o Senado, hipótese que alguns aliados dizem ser o projeto preferido do prefeito.

Outros garantem que ele quer mesmo disputar o governo. A verdade é que, neste momento, tudo pode acontecer. Inclusive nada.

Porque, ao fim e ao cabo, o prefeito de Maceió ainda tem uma alternativa simples e poderosa: permanecer no cargo até o final do mandato. E adiar qualquer decisão eleitoral para depois.