Política

Entre Lula e Bolsonaro, Lira quer os dois: vem aí o “palanque duplo”

De um lado, mantém interlocução institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De outro, preserva proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro

Por Blog do Edivaldo Junior 14/03/2026 14h02
Entre Lula e Bolsonaro, Lira quer os dois: vem aí o “palanque duplo”
Entre Lula e Bolsonaro, Lira quer os dois: vem aí o “palanque duplo” - Foto: Reprodução

Na disputa pelo Senado em Alagoas, o deputado federal Arthur Lira (PP) trabalha com uma estratégia política pouco convencional nos períodos eleitorais: estar, ao mesmo tempo, em dois palanques. No popular, é como botar um pé em cada canoa.

De um lado, mantém interlocução institucional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De outro, preserva proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A estratégia foi revelada em reportagem da jornalista Luísa Marzullo, publicada em O Globo, segundo a qual aliados de Lira discutem uma campanha baseada na lógica do chamado “segundo voto”, comum em eleições para o Senado, quando cada eleitor pode escolher dois candidatos.

Nesse modelo, Lira buscaria se consolidar como o segundo voto de eleitores de diferentes correntes políticas. Na prática, a ideia é construir o que aliados chamam de “palanque duplo”. Ou seja, manter trânsito político tanto entre aliados do governo Lula quanto entre lideranças ligadas ao bolsonarismo.

A lógica não é nova. Em disputas com duas vagas ao Senado, parte do eleitorado costuma dividir o voto entre candidatos de campos diferentes. A aposta do deputado seria justamente ocupar esse espaço. Se der certo, ele poderia ser o segundo voto de um candidato de direita, que pode ser Alfredo Gaspar e de um candidato de centro esquerda, por exemplo, Renan Calheiros.

Se algo assim é possível? Sim. Mas em Alagoas talvez só Lira tenha a característica que favorece esse desenho: mantém relações políticas com prefeitos e lideranças tanto de grupos ligados ao governo estadual quanto de setores da oposição em Alagoas.

Capilaridade.


Segundo a reportagem de O Globo, Bolsonaro chegou a defender entre aliados que o visitam na Papudinha uma dobradinha ao Senado envolvendo Lira. Ao mesmo tempo, o deputado mantém interlocução institucional com o governo Lula em Brasília.

Essa posição permitiria ao parlamentar dialogar com diferentes bases eleitorais. Se funcionar, o “palanque duplo” pode transformar o segundo voto em vantagem competitiva.

Mas a estratégia também carrega um risco político evidente. Em eleições polarizadas, nem sempre é simples para o eleitor entender um candidato que tenta ocupar dois palanques ao mesmo tempo.