Política

Comissão da Câmara elege Erika Hilton como nova presidente

Deputada assume colegiado de Defesa dos Direitos da Mulher após votação apertada e promete gestão voltada à proteção e à diversidade

Por Esther Barros 12/03/2026 09h09
Comissão da Câmara elege Erika Hilton como nova presidente
Erika Hilton (Psol-SP) - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados escolheu, nesta quarta-feira (11), a deputada Erika Hilton (Psol-SP) para comandar os trabalhos do colegiado ao longo deste ano. A parlamentar recebeu 11 votos favoráveis, enquanto outros dez deputados optaram por votar em branco.

Ela assume o posto antes ocupado por Célia Xakriabá (Psol-MG). Durante o discurso de posse, Hilton destacou o simbolismo da eleição, afirmando ser a primeira mulher trans a presidir a comissão, e afirmou que pretende conduzir a gestão com diálogo e foco na ampliação de políticas públicas voltadas às mulheres.

Segundo a deputada, a atuação do colegiado deverá contemplar diferentes realidades femininas no país, incluindo mães solo, trabalhadoras, mulheres negras, indígenas e aquelas em situação de vulnerabilidade social.

Prioridades da gestão

Entre os principais pontos anunciados para o período à frente da comissão estão o acompanhamento das políticas de proteção às mulheres e a ampliação de ações voltadas à garantia de direitos. A parlamentar citou como prioridades a fiscalização da rede de atendimento às vítimas de violência, incluindo unidades da Casa da Mulher Brasileira, o enfrentamento da violência política de gênero e o fortalecimento de políticas de saúde integral voltadas ao público feminino.

Reações da oposição

A eleição, no entanto, gerou reações contrárias entre parlamentares da oposição. Deputadas criticaram a escolha e defenderam que a presidência do colegiado deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero.

A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) afirmou que a comissão deveria priorizar pautas que, segundo ela, estejam alinhadas à defesa da família e da dignidade feminina. Já Clarissa Tércio (PP-PE) declarou que discorda da escolha e argumentou que a representação da comissão deveria refletir o que classificou como “realidade biológica” das mulheres.

Defesa da pluralidade

Outras integrantes do colegiado defenderam o resultado da votação e ressaltaram a importância de manter o foco na promoção de direitos.

Eleita primeira vice-presidente da comissão, a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ) afirmou que o trabalho do grupo deve priorizar melhorias concretas na vida das mulheres brasileiras, independentemente de posicionamentos ideológicos.

Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) classificou a instalação da comissão como um momento de resistência política e defendeu que o espaço parlamentar deve acolher a diversidade de experiências femininas no país, sem exclusões. Segundo ela, o colegiado terá o desafio de reforçar políticas públicas que garantam proteção e dignidade às mulheres em situação de vulnerabilidade.