Política

Dia 20 será um divisor de águas para maior projeto de Arthur Lira

Mais do que um ato político, o evento promete funcionar como um verdadeiro teste de força no tabuleiro eleitoral

Por Blog de Edivaldo Junior 06/03/2026 05h05
Dia 20 será um divisor de águas para maior projeto de Arthur Lira
Arthur Lira lança pré-candidatura ao Senado dia 20 de março. - Foto: Reprodução

O deputado federal Arthur Lira (PP) marcou para o próximo dia 20, em Maceió, o lançamento oficial de sua pré-candidatura ao Senado, maior projeto de sua trajetória política até agora. Mais do que um ato político, o evento promete funcionar como um verdadeiro teste de força no tabuleiro eleitoral de 2026.

A data também poderá ser um divisor de águas para a carreira do deputado federal, que começou na política como vereador de Maceió, foi deputado estadual e está no quarto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados – tendo sido presidente da Casa por duas vezes.

O passo para o Senado, considerado natural, não será fácil para Lira. Na sua primeira disputa majoritária, conta com apoio de vereadores, deputados e prefeitos e outras lideranças. Nesse sentido, o ato do próximo dia 20 será um teste decisivo.

Na política, às vezes as ausências falam mais que as presenças. E é exatamente isso que deve ser observado no encontro organizado por Lira – por ele, por seus aliados e adversários.

Quem estiver no palco ao lado do ex-presidente da Câmara ajudará a sinalizar o desenho das alianças para a disputa majoritária. Mas serão sobretudo as ausências que poderão revelar o rumo de candidaturas importantes.

A expectativa se dá em torno de alguns nomes. O prefeito de Maceió, JHC (PL), é um deles. Até agora, nos bastidores, Lira trabalha para que o prefeito entre na disputa pelo governo do Estado. Os dois formariam uma dobradinha em 2026: JHC candidato a governador e Lira a senador.

Se o prefeito aparecer no evento do dia 20, a aliança estará formada. Se não aparecer, a leitura tende a ser outra.

O mesmo vale para outros dois nomes que aparecem com força nas pesquisas para o Senado: o deputado federal Alfredo Gaspar (União Brasil) e o ex-deputado Davi Davino Filho (Republicanos).

Se forem ao ato, o gesto pode indicar uma composição. Se optarem pela ausência, eles seguirão caminho próprio na disputa pelo Senado. Nesse caso, ficaria descartada a possibilidade de acordo de primeiro e segundo voto.

Para Lira o evento será mais do que uma simples largada de campanha.

Será a oportunidade de demonstrar capacidade de mobilização e força política, especialmente junto às bases municipais. Pela capilaridade que construiu ao longo dos últimos anos, aliados do deputado avaliam que ele pode reunir no ato mais de 50 prefeitos, além de até quatro deputados federais, cerca de sete deputados estaduais e centenas de vereadores.

Esse tipo de mobilização tem peso político. Prefeitos e lideranças municipais costumam funcionar como termômetro de força eleitoral e também como sinalização para aliados e adversários sobre o rumo das alianças.

“Vamos fazer um grande encontro para discutir o futuro de Alagoas e iniciar esse projeto com quem acredita no nosso trabalho”, afirmou o deputado ao anunciar o ato político.

A escolha da data também não é casual. O calendário eleitoral estabelece que até o dia 4 de abril parlamentares e ocupantes de cargos públicos que pretendam disputar outro mandato precisam decidir se mudam de partido ou se afastam das funções para entrar na disputa.

Ou seja: o evento do dia 20 ocorre exatamente no momento em que lideranças políticas estão definindo seus movimentos para 2026. Nesse contexto, o ato organizado por Lira pode funcionar como um divisor de águas.

Aliados observarão quem subirá ao palco. Adversários também.

Mas, no fim das contas, a pergunta que mais interessará aos analistas políticos será outra: quem decidiu não aparecer.