Política
Pesquisa sofre críticas por provocar “distorção” na análise eleitoral
A crítica ecoa um sentimento que já vinha circulando entre lideranças políticas e equipes de campanha
A divulgação da pesquisa do Instituto FALPE sobre a disputa eleitoral em Alagoas provocou forte reação nos bastidores da política. O levantamento, realizado na Região Metropolitana de Maceió, acabou gerando críticas e discussões após parte dos resultados ser interpretada — ou divulgada — como se representasse todo o eleitorado do Estado.
Publicamente, a contestação mais direta partiu de Eugênio Albuquerque, diretor do Instituto Datasensus, que questionou a leitura política feita a partir do levantamento. Para ele, a pesquisa não representa o cenário eleitoral de Alagoas como um todo, justamente por ter sido realizada apenas na Grande Maceió. “Se fizer uma pesquisa para presidente apenas no Nordeste vai dar Lula, no Sul vai dar Bolsonaro”, pontuou.
A crítica ecoa um sentimento que já vinha circulando entre lideranças políticas e equipes de campanha.
Nos bastidores, interlocutores de diferentes grupos admitem incômodo com a forma como alguns veículos e análises passaram a tratar os números divulgados. A principal reclamação é que a pesquisa teria sido usada para sugerir tendências estaduais, quando na verdade o levantamento se limita ao recorte metropolitano.
Esse ponto é central.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral e foi realizada dentro das regras legais. O próprio registro indica que o universo pesquisado se restringe à Região Metropolitana de Maceió, com entrevistas realizadas em municípios como Maceió, Marechal Deodoro, Rio Largo e Pilar.
Ou seja, do ponto de vista formal, não há irregularidade na realização do levantamento. A controvérsia surgiu na interpretação e na divulgação política dos números.
Nos bastidores, já há conversas sobre possíveis medidas jurídicas contra o instituto ou contra veículos que teriam apresentado os resultados como se fossem uma fotografia do eleitorado de todo o Estado. A avaliação de alguns grupos é que esse tipo de leitura pode induzir o eleitor a uma compreensão equivocada do cenário eleitoral.
O argumento é simples: Maceió e sua região metropolitana representam uma parcela relevante do eleitorado alagoano, mas têm perfil político próprio e nem sempre refletem o comportamento do interior.


